A crise política e a consequente agitação nos mercados pode atrasar a saída de Portugal do programa de assistência financeira. A Irlanda, diz o presidente do Eurogrupo, está agora mais bem posicionada que nós para «dizer adeus» à troika.

«Ainda é muito cedo para se poder dizer se Portugal vai conseguir acabar o programa. Depois dos últimos meses, das turbulências políticas e da consequente agitação nos mercados financeiros, todos estão um pouco mais cautelosos ao fazer prognósticos», afirmou Jeroen Dijsselbloem, em entrevista ao jornal alemão «Süddeutsche Zeitung».

«A perspetiva de a Irlanda concluir o programa é atualmente mais forte do que a de Portugal», considera Jeroen Dijsselbloem.

Já esta quinta-feira a Comissão Europeia tinha afirmado que apoia os esforços de Portugal para evitar a instabilidade, e toma nota do apelo do Presidente da República a um compromisso de salvação nacional.

Maior risco para a Europa é a instabilidade política

Também numa entrevista a cinco jornais europeus, avançada pelo espanhol «El País», o líder do fórum dos ministros das Finanças da Zona Euro considera «prematuro dizer se Lisboa, por exemplo, pode deixar o programa. Uma linha de crédito preventiva por parte o mecanismo de resgate é uma opção, mas ainda é cedo. É possível algum tipo de programa preventivo, se for necessário», afirmou.

O presidente do Eurogrupo disse ainda, na entrevista avançada pelo «El País», que «o maior risco da Europa é a instabilidade política» e não os problemas económicos. «Cada vez que há instabilidade política paralisam-se as reformas: vimos isso na Grécia, em Portugal, em Itália», afirmou.