O Presidente da República, Cavaco Silva, dá esta terça-feira posse à nova ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, que substitui no cargo Vítor Gaspar, cuja demissão foi tornada pública na segunda-feira.

A tomada de posse de Maria Luís Albuquerque, que já integrava o Governo como secretária de Estado do Tesouro, está marcada para as 17:00 no Palácio de Belém.

A cerimónia vai ainda incluir a tomada de posse de Joaquim Pais Jorge como secretário de Estado do Tesouro e de Hélder Reis como secretário de Estado adjunto e do Orçamento.

Joaquim Pais Jorge substitui Maria Luís Albuquerque no cargo de secretária de Estado do Tesouro e Hélder Reis vai ocupar o lugar deixado vago na secretaria de Estado do Orçamento com a saída de Luís Morais Sarmento.

Numa carta enviada ao primeiro-ministro, Vítor Gaspar considerou a sua demissão «inadiável» e revelou ter pedido duas vezes para sair do Governo, em 2012 e já em 2013, justificando agora a sua saída com a falta de «mandato claro» para concluir atempadamente a sétima avaliação da 'troika'.

Esta foi a segunda saída de um ministro do XIX Governo Constitucional, depois da demissão de Miguel Relvas do cargo de ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, em abril deste ano, e a sexta alteração no executivo desde que tomou posse em junho de 2011.

Com a exoneração de Vítor Gaspar, fonte do gabinete do primeiro-ministro disse à Lusa que haverá uma alteração na orgânica do executivo e que Paulo Portas subirá a número dois do Governo, cargo até agora ocupado pelo ministro das Finanças, ficando Maria Luís Albuquerque com o terceiro lugar na hierarquia do Governo.

Nas reações da oposição, o porta-voz do PS, João Ribeiro, anunciou que o secretário-geral, António José Seguro, pediu uma audiência com caráter de urgência ao Presidente da República, Cavaco Silva, e considerou que a demissão do ministro das Finanças significa que o Governo caiu «definitivamente», voltando a pedir eleições antecipadas.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, desejou que Passos Coelho, Paulo Portas e o resto do Governo acompanhem a demissão de Vítor Gaspar e o coordenador do BE João Semedo defendeu que a saída do ministro das Finanças é «uma pesadíssima derrota» e marca «o final» do Governo.

Pela maioria, o PSD, pela voz do vice-presidente da bancada Miguel Frasquilho, reagiu à saída do ministro das Finanças, destacando o «inestimável serviço prestado a Portugal» por Vítor Gaspar e atribuiu à sua substituta, Maria Luís Albuquerque, competência e solidez financeira e económica.

O CDS-PP reagiu ao início da noite à saída de Vítor Gaspar do Governo registando o «esforço» do ex-ministro das Finanças e a «tarefa muito difícil» que lhe coube, e assinalando que as «diferenças» que tiveram foram políticas e não pessoais.

«A decisão do ministro das Finanças merece respeito e todos conhecem o esforço que Vítor Gaspar fez. Qualquer ministro das Finanças chamado a governar nas circunstâncias em que Portugal se encontrava em 2011, depois de um resgate internacional, tinha uma tarefa muito difícil», afirmou à Lusa fonte da direção do CDS-PP, numa declaração escrita na qual não é comentada a escolha de Maria Luís Albuquerque para as Finanças.