O Presidente da República, Cavaco Silva, disse hoje estar «convencido» que Portugal não precisará de um segundo resgate, mas avisou que os mercados estão sempre atentos, nomeadamente à estabilidade política.

«Estou convencido que Portugal não vai precisar de outro resgate», afirmou o chefe de Estado português em Estocolmo, durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro sueco, quando questionado por uma jornalista sueca se Portugal precisará de um segundo resgate.

Contudo, acrescentou, é preciso «esperar para ver».

«Não vou especular, mas vamos ver qual será a reação dos mercados depois de conhecerem a proposta de Orçamento do Estado português para o próximo ano, qual será a reação dos mercados depois de saberem o que acontece com o crescimento económico no segundo semestre e, claro, sabemos muito bem que os mercados estão sempre a olhar para a estabilidade política», sublinhou.

Por isso, continuou, é necessário que continue a existir em Portugal uma situação de estabilidade política, uma questão fundamental para qualquer país que esteja a aplicar um programa de ajustamento.

Ainda relativamente à possibilidade de um segundo resgate, o chefe de Estado português lembrou que o Conselho Europeu já decidiu que um país continuará a receber ajuda das instituições europeias se tiver dificuldade em regressar aos mercados após o fim do programa de ajustamento.

Questionado sobre as suas declarações a um diário sueco sobre o facto de Portugal não já estar em recessão, o Presidente da República sustentou que não é ele que o decide.

«Portugal já não estar em recessão não é uma decisão minha, é uma decisão do Instituto Nacional de Estatística em Portugal», referiu, fazendo ainda alusão aos indicadores que apontam para a possibilidade da economia continuar a crescer no segundo trimestre.

«Mas, temos muito trabalho pela frente», avisou Cavaco Silva, apontando o investimento e as exportações como os caminhos para o crescimento económico e reforçando a ideia que os principais desafios da União Europeia são a promoção do crescimento económico e a luta contra o desemprego.

Na conferência de imprensa, Cavaco Silva recuperou ainda outra ideia transmitida na entrevista que deu segunda-feira a um diário sueco, insistindo que Portugal está a fazer o seu trabalho, «mas espera e merece o apoio dos parceiros europeus».

O regresso de Portugal aos mercados foi um tema igualmente abordado pelo primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, que se escusou, contudo, a avançar com uma data.

«Não vou especular sobre isso», disse.

Mostrando-se solidário com os problemas que Portugal atravessa, o primeiro-ministro sueco recordou que o seu país também atravessou momentos muito difíceis nos anos 90, mas conseguiu ultrapassar a situação.