O Presidente da República, Cavaco Silva, reconheceu esta sexta-feira que aumentou a probabilidade de Portugal não regressar aos mercados, depois das declarações de alguns agentes económicos «até há poucos dias».

«A possibilidade de Portugal não conseguir regressar aos mercados a taxas razoáveis apesar de ter cumprido o programa de ajustamento» é uma «hipótese negativa, a que os autores atribuíam até há poucos dias baixa probabilidade» e que pode ganhar força «devido a eventos financeiros externos sistémicos», a «dificuldades políticas internas que inviabilizem um acordo para um programa cautelar» ou «da indisponibilidade da troika para encerrar de forma positiva o programa de assistência atualmente em vigor», disse Cavaco durante a abertura do «Encontro de Economistas - Portugal no período pós-troika», uma iniciativa com várias dezenas de académicos e economistas promovida pela Presidência da República, no Palácio de Belém.

O Presidente apontou, de seguida, uma questão: «Quais as condições que Portugal deve preencher para que regresse aos mercados e consiga obter os meios e o financiamento que precisa a uma taxa de juro razoável, com um programa cautelar que não implique medidas adicionais de austeridade e para que reencontre uma trajetória de crescimento económico geradora de emprego?». Um dos elementos, responde, passa pela «estabilidade política». Mas não só: é essencial ter «capacidade de compromisso de médio prazo entre as forças políticas, bem como ter sustentabilidade da dívida pública e realização de reformas estruturais».

Cavaco disse ainda que Portugal precisa de garantir condições políticas, económicas e sociais para «regressar aos mercados com juros razoáveis e um programa cautelar que não implique medidas adicionais de austeridade».

Isto sem esquecer «condições externas, como a avaliação por parte das instituições internacionais das políticas nacionais de sustentabilidade da dívida e de melhoria da competitividade das empresas». A intervenção ou não do BCE e a evolução da notação das agências de rating também fazem parte da lista.

«Estas e outras condições influenciarão a confiança dos mercados em relação à dívida pública portuguesa e devem, quanto a mim, começar a ser desde já preparadas», atirou.

Antes, Cavaco tinha dito que é preciso pensar no pós-troika «independentemente do Governo que estiver em funções em junho de 2014».