António Bagão Félix contestou esta terça-feira que os cortes de despesa sejam feitos apenas no Estado Social, num debate organizado pela CIP.

O antigo-ministro das Finanças diz que os argumentos de que o sistema de Segurança Social é «calamitoso» não correspondem à verdade.

Já o presidente da CIP, António Saraiva, diz que houve «irresponsabilidade política», que se vislumbra uma saída para a crise e que o país não pode esperar mais tempo.

Bagão reforçou, depois, a tese garantindo que as «grandes reformas» do nosso sistema de Segurança Social «estão feitas» e o nosso sistema está no «bom caminho».

Bagão Félix denunciou, assim, a «falácia do défice da Segurança Social».

«O nosso sistema é superavitário. Não há défice da Segurança Social. Este é mesmo um sistema que contribui para atenuar o défice do Estado», afirmou o ex-ministro da Segurança Social e das Finanças, a quem coube a intervenção de abertura da Conferência «Processo da Reforma do Estado - O Estado Social e o Crescimento Económico», que decorre esta terça-feira em Lisboa.

Quando comparado com outros sistemas europeus, ilustrou ainda o economista próximo do CDS, o sistema português prova ser mais eficiente. A introdução do fator de sustentabilidade na última reforma faz com que a idade da reforma em Portugal chegue aos 67 anos mais cedo do que na Alemanha, disse Bagão Félix, assim como há apenas quatro países em toda a União que tenham adotado, como Portugal, a consideração de toda a carreira contributiva, acrescentou.

O que «se pode fazer», na opinião do economista, são reformas com outra expressão, como a promoção de uma «verdadeira cultura de riscos», e, sobretudo, não cair na «tentação» que leve a que «qualquer dia, temos uma reforma tão perfeita que não haverá nenhum benefício», ironizou.

De resto, a reforma pode prosseguir no caminho da «uniformização dos sistemas», «uniformização fiscal», pode ser introduzido uma possibilidade de «capitalização virtual, ou nocional», em que «cada pessoa definiria a sua idade da reforma», após uma idade mínima, «podemos, finalmente, introduzir um sistema de reformas parciais», rematou - um diploma que Bagão Félix diz ter concluído enquanto ministro da Segurança Social e que teve que guardar na gaveta do Ministério das Finanças quando para lá entrou.