O Governo admite vir a pedir à troika que a meta de défice para 2014, que é de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), seja flexibilizada. Mas a negociação, sublinha o ministro adjunto, será difícil, porque é preciso convencer muito mais que apenas três instituições internacionais.

Falando no habitual briefing aos jornalistas e questionado sobre a negociação de uma eventual flexibilização da meta do défice, o ministro Miguel Poiares Maduro começou por sublinhar que «nenhuma negociação desse tipo será feita em público», mas lembrou que o próprio «primeiro-ministro já admitiu que, em certas condições, isso poderia ou não ser solicitado».

Mas o ministro não quis deixar de lembrar que a tarefa será complicada. « Às vezes em Portugal passa-se a imagem de que é muito fácil negociar com a troika, e obter as condições e a flexibilização que todos gostariam para diminuir eventualmente o ritmo da austeridade. Mas temos de ter em conta que a troika é uma entidade de racionalidade compósita, no sentido em que é composta por diferentes instituições, que são compostas por diferentes Estados, onde os líderes políticos respondem perante diferentes opiniões públicas».

«Da mesma forma que, em Portugal, muitos entendem e dizem muitas vezes que há fadiga de austeridade, nalguns desses Estados-membros, também muitos entendem e dizem que há fadiga da solidariedade. Uma negociação desse tipo é extremamente complexa e difícil. Não é convencer apenas uma pessoa. É convencer 27 opiniões públicas, é muito mais difícil», concluiu.