É já na próxima semana que é dado o pontapé de saída para mais um ano letivo. E por esta altura muito pais entram na azáfama das compras de livros e material escolar. Por isso, nunca são demais algumas dicas de poupança que pode não ter em mente. A especialista em educação financeira, Bárbara Barroso, esteve no espaço da Economia 24 do "Diário da Manhã".

Devemos esperar pela lista oficial do material escolar? E não perdemos boas promoções e oportunidades de comprar mais barato?

Quem tem filhos pode ter uma ideia, mais ou menos, aproximada do montante que vai gastar, e convém que tenha esse valor orçamentado, para o material escolar, mas deve esperar pela lista oficial.

Não faz sentido gastar dinheiro em algum material, se imaginar que poderão ser pedidos, por exemplo, canetas e lápis específicos – se a criança passar para outro ciclo o risco ainda é maior. Ou seja, o facto de comprar antes, mesmo que seja em uma boa promoção, pode revelar-se um desperdício. Estamos a “hipotecar” dinheiro que, mesmo com um talão de troca, pode revelar-se mal empregue.

Campanhas não faltam. Como é que se escolhe? As marcas brancas compensam?

Podem compensar em alguns casos. Um afia é só um afia, mas se lista de material disser que é um afia com duas entradas já reduz o espetro de opções. Há cadernos que não necessitam de grandes especificações e, para os quais, compensa a opção de comprar a marca branca. Para quem tem mais que um filho, ainda mais. Para optar, basta analisar bem a informação que recebe na caixa do correio. Fazer um estudo de preferência em família.

Se for em família, paralelamente, estamos a educar financeiramente as crianças… 

Exatamente. Devemos envolver as crianças nesta tarefa. É um bom momento para passar alguns ensinamentos de poupança.

Por exemplo?

Varia conforme a idade, mas quando forem às compras levem as crianças. Com a lista das compras que têm que fazer nas mãos, deem-lhe 20 euros e digam-lhes que eles não podem ultrapassar aquele valor, com base na lista. As crianças começam logo a comparar e a terem consciência de que, se calhar, o dinheiro já não dá para aquela mochila fantástica [que rebenta o orçamento] porque também têm de levar um estojo, por exemplo.

Ter um orçamento mais pormenorizado, quando já temos a lista, ajuda a balizar as despesas numa altura do ano que é sempre mais custosa para quem tem filhos.

As trocas e a reutilização são ótimas formas de poupança?

É verdade, sempre que possível. Não há problema algum de termos coisas novas. É ótimo. Mas se não o fizermos poupamos a carteira e o planeta porque, idealmente, tem que se transmitir às crianças a noção de que precisamos de estimar e reutilizar as coisas. Existem, inclusive, grupo de troca nas redes sociais.

A Mega tem sido alvo de críticas pelos atrasos, no registo de os alunos e na entrega de vouchers para irem buscar livros gratuitos – novos ou usados. O ministério assegurar que tudo ficará operacional a tempo, mas a verdade é que a cerca de uma semana de começarem as aulas havia alunos que não apareciam na busca. Os pais que regressam agora de férias têm mesmo que confirmar se os filos estão na Mega porque, caso não estejam, é mais complicado aceder aos livros de forma gratuita, se for o caso?

Certo. Tem que se entrar na plataforma e registar com o NIF – número fiscal – de o encarregado de educação. O aluno tem que estar inscrito na escola para receber os vouchers – daí a necessidade de se confirmar se aparece na Mega o registo com o nome do aluno. Se houver algum problema de atribuição de vouchers, pode requisitá-los diretamente na escola.

Quem não tem os livros gratuitos e mesmo para as restantes despesas que carecem de fatura para o IRS, as compras na escola podem fazer a diferença?

Os cadernos, lápis, mochilas e afins, como têm o IVA a 23% não entram nas despesas de educação, mas se a escola do seu filho tiver papelaria e compensar fazer as compras lá podem entrar como despesas de educação.