Portugal estendeu, esta quarta-feira, o prazo de 1.039 milhões de euros de Obrigações do Tesouro, que venciam em 2019 e 2020, para 2022 e 2027.

A agência que gere a dívida pública portuguesa (IGCP - Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública) anunciou que na operação de troca de obrigações por dívida com maturidade mais longa comprou 716 milhões de euros em OT com maturidade em 14 de junho de 2019 a 107,85% e vendeu 715 milhões de euros em OT que vencerão em outubro de 2022 a 108,43%.

Na mesma operação também comprou 323 milhões de euros de OT com maturidade em 15 de junho de 2020 a 112,39% e vendeu 324 milhões de euros em OT que vencerão a 119,70%.

A troca de obrigações que venceriam nos próximos dois a três anos por dívida a cinco e 10 anos com cupões mais baixos capitalizou apetite dos investidores para reduzir o custo médio de financiamento e alargar as maturidades.

No fundo, o que interessa aqui é que o Estado consegue estender o prazo da dívida, num momento em que as taxas de juro estão historicamente baixas".

Filipe Silva, gestor de dívida do Banco Carregosa, no Porto, entende ainda que "o que esta operação tem de especial é que o menos conta: são as taxas", cita a Reuters.

Do ponto de vista da República Portuguesa o objetivo desta operação foi o de alongar o prazo de reembolso: o esforço de amortização que estava previsto para 2019 e 2020 é adiado para 2022 e 2027".

A aceitação por parte dos investidores

O gestor de dívida explicou também que, "do ponto de vista do investidor, por razões de gestão de carteira, pode também fazer sentido optar por uma troca direta do que esperar pela amortização em 2019 ou 2020 e sujeitar-se ao risco de, na altura, não conseguir aplicar o mesmo montante em dívida pública portuguesa, em condições semelhantes às de hoje".

"É quase como uma ida do investidor ao mercado primário (hoje), dispensando-se de ter que rolar a carteira daqui a 2 ou 3 anos. Tratando-se de prazos diferentes, as taxas teriam que ser diferentes", referiu.

No mercado secundário, os juros da dívida soberana de Portugal a 10 anos - prazo que servem de referência - seguem num mínimo desde abril de 2015, nos 1,86%, um ligeiro recuo face ao fecho nos 1,9% na sessão de terça-feira.

Não esquecer que Portugal continua apoiado pelo generoso programa de compra de obrigações do Banco Central Europeu, que prosseguirá pelo menos até Setembro de 2017.