O sindicato de tripulantes de cabine da TAP fala numa adesão maciça à greve deste domingo, com a empresa a destacar por lado a «enorme tranquilidade» vivida, por exemplo, no aeroporto de Lisboa.

«Em termos de adesão está a correr muito bem, melhor até do que no primeiro período da greve, onde tivemos uma adesão de 98%», disse à agência Lusa o membro da direção do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) Nuno Fonseca.

Já a TAP, pelo porta-voz André Serpa Soares, fala num ambiente de «enorme tranquilidade», que a Lusa constatou no aeroporto de Lisboa. Mas que também se vive noutros aeroportos, frisa o responsável da companhia portuguesa.

«Vamos realizar mais de 100 voos, um terço da operação inicial programada para hoje, que seriam 280 voos. Os restantes voos, na sua larguíssima maioria, estavam com zero passageiros. Estar a falar de cancelamentos de voos com zero passageiros penso que é uma contabilidade que não faz muito sentido», disse, lembrando que a TAP trabalhou «atempadamente» para mudar as viagens dos passageiros para dias que não o deste domingo.

O sindicato indicou que recebeu na sexta-feira a denúncia do acordo de empresa, acordo esse que motivou a greve, já que os trabalhadores de cabine consideraram que as conversações com a empresa foram infrutíferas no cumprimento das suas reivindicações, nomeadamente o direito a um fim de semana de descanso de sete em sete semanas e um planeamento atempado das escalas de serviço.

«O que podemos retirar disto é que talvez interesse à administração apresentar ao Governo para venda uma empresa que tenha o menor número possível de acordos de empresa», nota Nuno Fonseca, do SNPVAC, fazendo referência ao processo de privatização da TAP.

A companhia, pelo porta-voz, reconhece o «transtorno aos clientes» que a greve poderá causar, bem como perdas financeiras, decorrentes - por exemplo - de realojamento de passageiros em hotéis e de menores vendas.

No aeroporto de Lisboa, onde a Lusa esteve este domingo de manhã, o ambiente era efetivamente tranquilo, com pouquíssimos passageiros a deslocar-se ao balcão de informações da TAP solicitando apoio para voos cancelados.

Um dos passageiros, António Carneiro Jacinto, ia para Bruxelas e acabou por mudar de companhia, trocando a TAP pela espanhola Iberia.

«Vamos tomar o pequeno-almoço a Madrid e depois voamos para Bruxelas», disse o passageiro, que vai estar na Comissão Europeia em trabalho com uma equipa na segunda e terça-feira, pelo que encarou com relativa descontração a chegada mais tardia à Bélgica este domingo. «Hoje era para ir calmamente», frisou ainda, criticando o que diz ser uma «greve suicida sabendo-se a situação em que a TAP está».

Vinte e oito voos, entre partidas e chegadas, a maioria referente a deslocações domésticas, foram já cancelados no Aeroporto de Lisboa desde as 0:00, em dia de greve dos tripulantes de cabine da TAP, revela a página Internet da ANA – Aeroportos de Portugal.

Os tripulantes de cabine da TAP iniciaram às 00:00 deste domingo o primeiro de dois dias de greve para exigir o cumprimento do acordo de empresa em vigor desde 2006, após conversações do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) com a empresa que este considerou infrutíferas.

A 15 de outubro, o SNPVAC entregou um pré-aviso de greve de quatro dias, repartido em dois períodos: o primeiro foi a 30 de outubro e 01 de novembro e o segundo cumpre-se hoje e a 02 de dezembro.