
Já há acordo na Alemanha, entre Governo e oposição, para a aprovação do Tratado Orçamental Europeu no parlamento federal. O «fumo branco» chegou depois das negociações entre os líderes parlamentares e a chanceler Angela Merkel.
Para garantir a necessária maioria de dois terços no hemiciclo, em votação agendada para 29 de junho, o executivo de centro-direita mostrou-se disposto a implementar mais medidas para fomentar o crescimento e o emprego a nível europeu, e a introduzir, se possível até finais de 2012, um imposto de transações financeiras para as financiar, revelaram vários participantes no encontro.
Se não for possível fazer aprovar o referido imposto a nível dos 27 países da União Europeia, «deve formar-se uma coligação de vontades de pelo menos nove países-membros», número mínimo para apresentar o respetivo projeto com caráter de urgência à Comissão Europeia, disse o líder parlamentar dos sociais-democratas, Frank-Walter Steinmeier, citado pela Lusa.
O executivo de Angela Merkel terá ainda de negociar com os representantes dos 16 governos estaduais, no domingo, a aprovação do Tratado Orçamental no Bundesrat (câmara das regiões).
Não se preveem, no entanto, novos obstáculos à aprovação do documento nesta câmara, que é dominada pelos partidos da oposição.
O único partido que se opõe à aprovação do Tratado Orçamental, destinado a impor uma maior disciplina financeira aos países subscritores, através, nomeadamente, do chamado «travão» à dívida, são os neocomunistas do Die Linke.
Esta força política alegou que o tratado implica cedência de soberania por parte da Alemanha, e já anunciou que recorrerá para o Tribunal Constitucional, logo após a votação parlamentar.
O tratado será votado em conjunto com o novo Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), que deverá substituir, a partir de julho, o atual fundo de resgate europeu, utlizado para conceder empréstimos à Grécia, Irlanda e Portugal, e em breve também a Espanha.