Os camionistas não estão dispostos a aceitar as propostas do Governo para o setor.

Membros da Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP) estiveram reunidos, este sábado, durante quase três horas, na Póvoa de Santa Iria, a discutir as medidas propostas pelo Governo, que surgiram depois da reunião de quarta-feira com o Secretário de Estado das Infraestruturas.

À saída da reunião, o presidente da ANTP, Márcio Lopes, disse estar "mais pessimista" em relação à possibilidade de chegar a acordo com o Governo e não exclui a hipótese de uma nova paralisação caso isso não aconteça até ao dia 15 deste mês.

Não é um protocolo que tenha respostas para já para tirar o setor do afogamento lento que está a ter. Precisávamos de medidas mais concretas e respostas mais rápidas da parte do Governo para a sustentabilidade do setor", vincou o responsável.

Na terça-feira a ANTP realizou um protesto para reclamar a regulamentação do setor, a criação de uma Secretaria de Estado dedicada exclusivamente aos Transportes, a obrigatoriedade de pagamento no período máximo de 30 dias e a criação de um mecanismo para que a inflação também seja refletida no setor dos transportes.

O caderno reivindicativo prevê ainda que o preço dos combustíveis seja indexado ao preço dos transportes, isto é, refletido no custo dos serviços, melhores condições de trabalho para os motoristas e descontos nas portagens.

A ANTP representa as pequenas e médias empresas do setor e foi formada depois do bloqueio de 2008.

De acordo com a ANTP, o setor tem 7.500 empresas e mais de 300 mil trabalhadores, representando esta associação cerca de 400 associados, segundo o presidente da direção.