Os sindicatos que representam os trabalhadores da Rodoviária do Tejo saíram esta quinta-feira desiludidos de uma reunião com a administração da empresa e decidiram «levar por diante» a greve que tinham agendada para o dia 28.

«Nós tínhamos uma proposta e pensávamos que hoje íamos discutir essa proposta, mas aquilo que a empresa disse foi que não estava disponível para negociar sob pré-aviso de greve. Portanto, entrámos com uma mão vazia e saímos com uma mão cheia de nada», disse à agência Lusa Manuel Castelão, do Sindicato dos Transportes Rodoviários.

O sindicalista explicou que em cima da mesa de negociações estava a discussão do acordo de empresa (AE) e a melhoria das condições salariais e adiantou que os sindicatos estão a ponderar avançar com processos judiciais contra a Rodoviária do Tejo.

«Temos um conjunto de cerca de 150 processos para entrar contra a empresa em tribunal pelo não pagamento nem atribuição do descanso compensatório e das diferenças dos pagamentos de subsídio de férias e Natal ao longo dos anos que eles nunca cumpriram», apontou.

Manuel Castelão referiu ainda que ficou agendada uma nova reunião com a administração da empresa, ainda sem data, mas que os trabalhadores vão «levar por diante» a greve do dia 28.

«O impasse está criado e nós vamos seguir aquilo que está estabelecido pelos trabalhadores e ainda hoje vamos meter o pré-aviso de greve. Vamos pressionar a empresa a ver se eles mudam de atitude», atestou.

Contactado pela Lusa Oswaldo Moreno, um dos administradores da Rodoviária do Tejo, escusou-se a comentar os resultados da reunião.

Os trabalhadores da Rodoviária do Tejo têm previsto para o dia 28 de março uma paralisação e uma concentração de trabalhadores, em frente à sede da empresa, em Lisboa, que contará também com a presença de quadros afetos à Rodoviária de Lisboa e dos Transportes Sul do Tejo.

As principais reivindicações são o «cumprimento da aplicação do descanso compensatório, o aumento dos salários e melhoria das condições de trabalho e contra a discriminação», reiterou Manuel Castelão, notando que a greve agendada para dia 28 de março vai incluir a participação, para além dos trabalhadores da Rodoviária do Tejo, dos quadros afetos à Rodoviária de Lisboa e da Transportes Sul do Tejo.