O PS pediu esta quinta-feira a demissão do secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, pela transferência de um swap para o Estado, em nome da «coerência» com outras demissões neste Governo e exigiu que, para já, venha prestar esclarecimentos ao parlamento.

«Sérgio Monteiro terá que vir ao parlamento dar todas as explicações de uma atitude que nos parece promiscuidade entre o privado e o público, falta de transparência, que tem que ser explicada», exigiu a vice-presidente da bancada parlamentar do PS Ana Catarina Mendes.

Em declarações aos jornalistas no parlamento, Ana Catarina Mendes argumentou que «ao longo da comissão de inquérito sobre os swap, que decorreu no ano passado, houve várias demissões por membros do Governo que tinham contratualizado os swap».

«Resta ficar a pergunta se Sérgio Monteiro tem condições para continuar depois de ter prejudicado o Estado da forma como prejudicou», frisou, referindo que, após as explicações do secretário de Estado ao parlamento, «haverá ou não haverá coerência».

A deputada socialista afirmou que, de acordo com a imprensa, que cita um relatório do Tribunal de Contas sobre o comboio de alta velocidade, «Sérgio Monteiro transfere um prejuízo do privado para o Estado, ao transferir um swap para a responsabilidade do Estado causando assim prejuízo, mantendo o empréstimo ainda na esfera privada».

«Soma-se a isto a gravidade de ter sido uma ação praticada por Sérgio Monteiro enquanto o representante do setor privado antes de ir para o Governo e que quando vai para o Governo lesa o Estado ao transferir este swap, agindo em causa própria», declarou.

Para Ana Catarina Mendes, «há a nacionalização de um prejuízo de um empréstimo, que se mantém privado, mas de um swap que lhe está associado e que passa para a transferência e para a responsabilidade do Estado».

O Bloco de Esquerda, através da deputada Mariana Mortágua, fez na quarta-feira um ataque cerrado a Sérgio Monteiro acusando-o de «promiscuidade» entre Estado e privados e de seguir a máxima "inalei mas não fumei" a propósito dos contratos swap.

O PCP anunciou na altura que requererá o envio ao parlamento das fichas técnicas dos contratos swap assinados por Sérgio Monteiro quando representava um consórcio privado.

Citando o relatório do Tribunal de Contas, Mariana Mortágua afirmou que «ficou a saber-se que o atual secretário de Estado dos Transportes, enquanto representante de um privado, assinou um contrato swap que «gerou perdas de 152 milhões de euros».

«Esse mesmo contrato foi resgatado pelo Estado, que assumiu assim todos os prejuízos decorrentes dessa operação financeira engendrada por Sérgio Monteiro no privado. E quem é que assinou essa operação pelo Estado? Isso mesmo, Maria Luís Albuquerque e Sérgio Monteiro», disse.