Os sindicatos representantes dos funcionários do Metropolitano de Lisboa decidiram esta quarta-feira suspender a greve de sexta-feira, depois de o tribunal arbitral do Conselho Económico e Social ter decretado serviços mínimos durante a paralisação.

«Verificámos que não existem condições para efetuar o transporte em segurança, motivo pelo qual suspendem a greve» da próxima sexta-feira, referem os sindicatos representantes dos funcionários, num comunicado enviado à agência Lusa.

O tribunal arbitral do Conselho Económico e Social (CES) decretou terça-feira serviços mínimos para a greve dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa marcada para sexta-feira.

No comunicado, os sindicatos, que estiveram reunidos hoje para analisar a decisão do tribunal arbitral, decidiram também realizar um Plenário Geral de Trabalhadores no dia 22 e marcar um novo período de greve para o dia 28.

Representam os funcionários do metro da capital portuguesa, a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, Sindicatos dos Trabalhadores da Tração do Metropolitano, Sindicatos dos Trabalhadores da Manutenção do Metropolitano de Lisboa e do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes.

Os sindicatos alertam também para «a curiosidade» de o tribunal arbitral do Conselho Económico Social «ser presidido por um juiz que faz parte integrante de um dos maiores escritórios de advogados, PLMJ, fundado por Miguel Júdice».

«O referido escritório está contratado pela Administração do Metropolitano de Lisboa para assessorar o processo de subconcessão em curso», acusam os sindicatos.

No comunicado, os representantes dos funcionários do metro de Lisboa sublinham que ao tribunal arbitral se «exige imparcialidade».

Na terça-feira passada, o tribunal arbitral do CES decretou também serviços mínimos para as greves de dia 10 de abril dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, bem como da rodoviária Carris, o que, no caso do Metropolitano de Lisboa, levou os sindicatos representativos dos trabalhadores a adiarem uma semana, para o dia 17 de abril, a greve de 24 horas.

Na altura, Anabela Carvalheira, da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans), explicou que o adiamento de uma semana estava relacionado com a falta de segurança devido à obrigatoriedade de serviços mínimos decretados pelo CES.

«As organizações sindicais do Metropolitano reuniram, ponderaram as questões que tinham nesta altura em cima da mesa e acharam que não estão reunidas as condições de segurança quer para os utentes quer para os trabalhadores», disse, então, a sindicalista.

Já em novembro passado, o tribunal arbitral decretou, para uma outra greve do Metro, que deveria ser assegurada a circulação de um quarto das composições que habitualmente transportam passageiros.

Na altura, a Fectrans decidiu manter a greve, mas aconselhou os trabalhadores a cumprirem o horário de trabalho, de modo a garantirem a segurança dos utentes daquele transporte público.