O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, disse esta terça-feira “temer o pior” sobre a estratégia da TAP para o Porto.

Rui Moreira está “preocupado” com a ligação Vigo-Lisboa, que vai “drenar o tráfego da Galiza e retirar passageiros” ao aeroporto Sá Carneiro, disse esta terça-feira em reunião pública da Câmara.

“Preocupa aquilo que foi o segredo mais bem guardado de todos, que é a ligação Vigo-Lisboa”, afirmou Rui Moreira acrescentando que, “a prazo”, este voo “vai fazer com que a TAP diga que vai parar os voos intercontinentais” de e para o Porto.


Durante o evento, Ricardo Valente, vareador do PSD, disse pretender saber se foi ou não pedida informação ao Governo relativamente ao cumprimento do caderno de encargos do contrato firmado com o consórcio Gateway e se os dois administradores representantes do Estado no conselho de administração da empresa “tinham conhecimento ou não” destas suspensões dos voos do Porto para Bruxelas, Milão, Roma e Barcelona.

Na resposta, Rui Moreira afirmou não conseguir adiantar o que vai acontecer por desconhecer o que o Governo vai decidir em relação à reversão da privatização, mas foi perentório: “suspeito e temo pior”.

Lembrando que, aquando da escolha do consórcio Gateway como vencedor do processo de privatização da TAP, o anterior secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, disse estar garantida a manutenção do hub(principal centro de operações de voos comerciais) de Lisboa, Moreira afirmou que “esta privatização teve como única preocupação garantir Lisboa”.

“Esta estratégia da TAP é uma estratégia que destrói, não temos grande solução a não ser falar com outros operadores (privados)”, afirmou Moreira, para quem “o que está em jogo é o futuro do aeroporto Sá Carneiro e o hub dos negócios” de empresas do Norte.


Suspeitando que “o Estado fica com a TAP para continuar a pagar prejuízos”, Rui Moreira voltou a sublinhar que uma TAP pública terá que prestar serviço público em Portugal, e não apenas em Lisboa. “Para o Porto, Faro, Funchal e Ponta Delgada o interesse da TAP é zero”, disse, “e pagar isso com os meus impostos custa-me imenso”.

O presidente da Câmara disse que “durante os últimos 12 anos [da TAP] enquanto empresa pública, a gestão foi ruinosa, de cegueira relativamente ao Porto” e que se o objetivo “é fazer asneiras, pelo menos que sejam feitas por privados”, acrescentando que “sendo privada só quero ter a certeza que nós não vamos pagar as asneiras”.


Ricardo Valente defendeu que o “Porto merece uma explicação” e “não pode ficar calado relativamente a esta situação”.

A vereadora do PS Carla Miranda, que é deputada na Assembleia da República, adiantou que alguns deputados socialistas eleitos pelo Porto já questionaram o Governo sobre o que pretende fazer ao aeroporto do Porto e se conhecia esta suspensão dos quatro voos.

O vereador da CDU, Pedro Carvalho, considerou que a questão central em toda esta discussão “é a privatização e não outra”, acrescentando que "a TAP tem que continuar na esfera pública, o hub do Porto é importantíssimo”.