A transportadora Carris, em Lisboa, cujos trabalhadores estão esta quinta-feira em greve, teve a circular até ao meio-dia 127 viaturas das 368 programadas, correspondendo a 35% da oferta, de acordo com dados da empresa.

Em comunicado, a Carris informou que dos “368 veículos programados para o serviço público circulavam 127 (…), o que representa 35% da oferta”, salientando que os serviços mínimos decretados pelo colégio arbitral estão a ser “integralmente cumpridos”.

O mesmo documento avançou que os serviços da rede de ascensores e elevador de Santa Justa foram cumpridos a 100% em relação ao serviço que estava programado.

Contatado pela agência Lusa, Manuel Leal, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), avançou não haver “qualquer balanço” sobre os dados da greve até ao momento, explicando que os últimos dados são aqueles que foram transmitidos ao início da manhã, indicando que a adesão à greve seria superior aos 80%.

Manuel Leal acrescentou que ao final do dia será realizado um balanço final sobre os números de adesão à greve.

Os trabalhadores da rodoviária Carris estão em greve de 24 horas contra a subconcessão da transportadora.

O tribunal arbitral do Conselho Económico e Social decretou como serviços mínimos para esta greve o funcionamento de 50% de 11 carreiras, tendo em conta linhas que desempenham “um papel essencial no acesso das pessoas à rede hospitalar pública e, consequentemente, a necessidade de proteção do direito à saúde, constitucionalmente consagrado”.

Além da greve, os trabalhadores realizaram uma marcha de protesto, que ligou a Estação de Santo Amaro, em Alcântara, e a Assembleia da República e juntou cerca de uma centena de pessoas, enquanto a Comissão de Trabalhadores (CT) da Carris e algumas estruturas sindicais realizaram também um debate, no cinema São Jorge, para analisar o caderno de encargos e o impacto da subconcessão para a empresa e os trabalhadores, com a participação de investigadores.

Na sessão pública esta manhã em Lisboa, a coordenadora da análise do caderno de encargos da subconcessão da empresa para os órgãos representativos dos trabalhadores, a historiadora Raquel Varela, considerou estar em causa, não só um “negócio para o setor privado”, mas a “destruição do direito ao trabalho” na empresa, ao “abrir” a possibilidade de despedimentos e “reduzir brutalmente os salários”.

Entre as conclusões da análise ao documento, a especialista do Observatório para as Condições de Vida da Universidade Nova de Lisboa enumerou o “despedimento coletivo na casa mãe”, que deverá abranger entre “500 a 600” trabalhadores que “não terão atividade” para desenvolver.