A CP quer encontrar novas formas de financiamento para expandir a sua oferta, nomeadamente nos comboios de longo curso e urbanos, sem recorrer a verbas públicas, afirmou o presidente da empresa.

“A CP quer encontrar novas formas de financiamento, que não passam pelo público, para expandir a oferta do lado do material circulante”, declarou Manuel Queiró, sem precisar quais.

O presidente da CP é um dos elementos de uma delegação portuguesa que viajou em direção a Paris, a bordo do comboio Sud Express, antes do início do Cimeira do Clima (COP21), para mostrar as vantagens ambientais deste meio de transporte face a outros mais poluentes, como o rodoviário ou o aéreo.

Manuel Queiró reconheceu que “a oferta não está a desempenhar o seu papel em estimular a procura” e destacou alguns fatores que explicam que em Portugal se faça, em média, metade das viagens de comboio que se fazem na Europa, como “o fortíssimo desinvestimento na ferrovia”, que aconteceu ao longo de décadas, e a degradação do serviço.

No entanto, nos últimos 25 meses o transporte ferroviário tem estado a recuperar passageiros, adiantou.

Agora “é preciso agir sobre a oferta”, sublinhou, acrescentando que se está “a atingir o limite do crescimento de passageiros” e que é necessário investir em material circulante e na infraestrutura, o que exige um “casamento” entre o operador (CP) e o gestor das infraestruturas (Infraestruturas de Portugal, empresa que resultou da fusão entre a Refer e a Estradas de Portugal).

O presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), António Ramalho, que acompanhou a comitiva durante parte do trajeto, confirmou o crescimento da ferrovia, tanto em termos de passageiros como de mercadorias desde 2014 e apontou algumas prioridades, entre as quais a internacionalização.

“Não temos nenhuma fronteira eletrificada”, exemplificou. O que faz com que, à chegada a Vilar Formoso, seja necessário trocar a locomotiva elétrica por uma a diesel.

“É uma longa maratona, não vamos ver resultados num dia”, observou o responsável da IP, a propósito da promoção do transporte ferroviário.

A iniciativa “Train To Paris”, organizada pela União Internacional dos Caminhos de Ferro (UIC), prevê a chegada sincronizada à capital francesa de comboios proveniente da Ásia e da Europa para chamar a atenção para a necessidade de usar transportes sustentáveis e com baixas emissões de carbono.

A delegação portuguesa integra representantes da CP, IP, Agência Portuguesa de Ambiente, de empresas como a Mota-Engil, Thales, Evoleo, NomadTech, das organizações ambientalistas Quercus e Liga para a Proteção da Natureza e deputados do PS e do PSD.

A Cimeira do Clima, que começa na próxima segunda-feira, em Paris, é mais uma etapa no objetivo de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, através de um acordo global e vinculativo a nível internacional.