O Sindicato Nacional dos Motoristas anunciou nesta quarta-feira uma greve, entre os dias 8 e 17 de agosto, nos Transportes Coletivos do Barreiro (TCB), exigindo alterações nos horários das refeições e rendições dos trabalhadores.

A greve, agendada para a semana em que decorrem as festas do Barreiro, vai decorrer das 20:00 até ao último serviço de cada dia.

«Em causa está o horário das refeições e das rendições. Os motoristas não podem parar para comer a qualquer hora do dia ou da noite e também não admitimos que a empresa utilize os tempos de rendição para que se desloquem para outros serviços», disse à Lusa Manuel Oliveira, do Sindicato Nacional dos Motoristas (SNM).

O sindicalista referiu que os motoristas «trabalham gratuitamente», deixando críticas à administração dos TCB, que é um serviço municipalizado da Câmara do Barreiro, liderada por Carlos Humberto (PCP).

«O PCP defende umas coisas na Assembleia da República e depois na autarquia faz diferente», salientou.

Manuel Oliveira frisou que até ao início da greve o sindicato está disposto a negociar, referindo que caso se chegue a um entendimento a greve será desconvocada.

«Ainda recentemente foi assinado um acordo para a manutenção das 35 horas de trabalho e estamos dispostos a negociar até ao início da greve. Caso a greve avance, esperamos uma grande adesão, apesar de apenas representarmos um terço dos motoristas, pois o descontentamento é crescente», disse.

Rui Lopo, vereador da Câmara do Barreiro, disse à Lusa que o sindicato entregou o pré-aviso de greve no dia em que assinou o acordo para manter as 35 horas de trabalho e assegurou que os TCB estão disponíveis para negociar.

«Mantivemos conversas com o SNM e os TCB continuam disponíveis para continuar a conversar. Assinámos o acordo para as 35 horas e existem outros assuntos em que temos uma opinião ligeiramente diferente, mas há até um entendimento na generalidade», afirmou.

O autarca referiu que tem mantido conversas regulares com os trabalhadores dos TCB e que têm sido efetuados alguns «ajustamentos e progressos».

«Não percebemos este pré-aviso. A data escolhida não é partidária, mas é uma decisão política que tem como objetivo prejudicar a população e a gestão autárquica. Os objetivos do SNM podem prejudicar o funcionamento dos TCB e dos trabalhadores», salientou.