A organização Transparência Internacional lança esta terça-feira uma campanha em Portugal, e mais 10 países, para exigir aos governos «medidas imediatas» para resolver as lacunas legislativas que facilitam a circulação de dinheiro ilegal.

«Toda a gente pratica a cunha»

Portugal, Austrália, Brasil, França, Indonésia, Malásia, Rússia, África do Sul, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos da América são os países que participam na campanha «Desmascarar os corruptos»(Unmask the Corrupt em inglês), que quer sensibilizar cidadãos e governos para a urgência do combate à corrupção transnacional.

«A falta de regulação eficaz dos sistemas financeiros permite a agentes corruptos esconder o produto dos seus crimes atrás de empresas-fachada e gozar de uma vida de luxo paga com dinheiro sujo», disse João Paulo Batalha, diretor executivo da associação Transparência e Integridade (TIAC), representante portuguesa da Transparência Internacional.

«Sob o pretexto de captar investimento estrangeiro, os próprios governos têm sido coniventes com estas práticas, demitindo-se de garantir a transparência e a legalidade dos fluxos financeiros que entram no país», acrescentou.

Por isso, a TIAC defende a tomada de «medidas imediatas» para impedir que a economia «se torne refúgio seguro para oficiais corruptos»

Acabar com o secretismo na propriedade de empresas, tornando obrigatória a identificação clara dos seu beneficiários, regular o mercado dos bens de luxo, nomeadamente o imobiliário, e fazer um controlo mais apertado sobre a circulação de suspeitos de corrupção, incluindo a regulação dos programas de vistos dourados, são reivindicações da campanha, para a qual foi criado um website, o www.UnmaskTheCorrupt.com.

A Transparência e Integridade cita dados do Bando Mundial que revelam que, em 70 por cento dos casos de grande corrupção internacional, políticos corruptos usavam empresas-fachada para esconder a sua identidade e beneficiar dos seus bens ilícitos.

«Em Portugal, escândalos recentes como o do BES ou do BPN revelaram o envolvimento de empresas offshore em negócios obscuros que terão servido para esconder prejuízos e beneficiar ilegitimamente responsáveis destas instituições» e «operações de investimento estrangeiro, em imobiliário de luxo ou na compra de participações em empresas portuguesas, têm sido feitas sem um escrutínio suficiente», adianta a organização.