Perto de quatro dezenas de trabalhadores e sindicalistas da PT/Meo protestaram hoje junto ao Conselho de Ministros, em Lisboa, contra a transferência compulsiva para outras empresas e prometeram mais "luta", após o primeiro-ministro não os ter recebido.

[António Costa] entendeu que não tinha condições para interromper o Conselho de Ministros para vir falar com os representantes dos trabalhadores. Lamentamos. A PT, pela dimensão que tem, merecia essa atenção. A luta continua, daqui a uma semana cá estaremos", disse o coordenador da comissão de trabalhadores PT/Meo, Francisco Gonçalves.

Uma comitiva das Estruturas de Representação Coletiva dos Trabalhadores (ERCT) da PT/Meo, que junta comissão de trabalhadores e uma dezena de sindicatos, entregou na secretaria-geral da Presidência do Conselho de Ministros um documento sobre a situação da operadora de telecomunicações, alertando também para cerca de 1.400 rescisões contratuais em dois anos.

O mesmo dirigente reiterou o apelo para a intervenção do Governo socialista e da Assembleia da República para solucionar o problema e afirmou que, se não houver boas notícias em setembro, uma vez que agora se está em pleno período de férias, as formas de ação vão endurecer, admitindo todas as hipóteses, incluindo nova greve e manifestação.

Mais de 2.000 funcionários e ativistas da operadora de telecomunicações adquirida pela multinacional francesa Altice marcharam, em dia de greve, há menos de um mês (21 de julho), entre a sede da PT, nas Picoas, e a residência oficial do chefe de Governo, em São Bento, mas foram apenas recebidos por um assessor de António Costa para os assuntos financeiros.

Se não atingirmos os nossos objetivos, em setembro, com os motores já aquecidos, vamos efetivamente endurecer as formas de luta e tomar outras formas de luta. Esperamos que não seja preciso, quer pela intervenção do Governo e do primeiro-ministro, quer pela nova presidente da PT. Vamos continuar ativos e incisivos. A seguir a dia 6 [de setembro], se não vierem boas notícias do Governo, cá estaremos", garantiu Francisco Gonçalves.

O representante dos trabalhadores desafiou o primeiro-ministro a "passar das palavras aos atos" e lembrou os "34 dias de luta e denúncia" que já passaram, sublinhando que a operadora de telecomunicações é uma "empresa muito importante para o tecido empresarial e a economia nacional, com uma componente social, através das contribuições diretas e indiretas para o Estado", pois tem grandes contribuições dos trabalhadores, assim como em sede de IVA (mais de 100 milhões de euros/ano) e de IRC.

Todas as formas [de luta] estão em cima da mesa. Têm-nos chegado centenas de mensagens de apoio. Os trabalhadores estão disponíveis para fazer com dimensão igual ou superior ao dia 21 [de julho]. Há vontade muito grande dos trabalhadores em lutar pela sua dignidade e do país, com leis laborais equilibradas, que defendam trabalho com direitos", concluiu Francisco Gonçalves.

Além dos cerca de 300 trabalhadores que ficaram sem funções, está em causa a mudança de mais de 150 funcionários para empresas do grupo da multinacional de comunicações e conteúdos francês, que detém a PT Portugal, como a Tnord, a Sudtel ou a Winprovit e ainda para a parceira Visabeira, recorrendo à figura de transmissão de estabelecimento.

O executivo socialista tem defendido a intervenção da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) para averiguar da legalidade da situação, mas aquela entidade, segundo representantes sindicais que com ela se reuniram na quarta-feira, terá reconhecido constrangimentos para atuar em concreto sem que a legislação seja alterada.

Uma reunião entre representantes dos funcionários da PT e a nova presidente executiva (CEO), Cláudia Goya, está agendada para 06 de setembro, a fim de abordarem a estratégia para a empresa e seus trabalhadores.

A Altice, que comprou há dois anos a PT Portugal por cerca de sete mil milhões de euros, anunciou em 14 de julho que chegou a acordo com a Prisa para a compra, por 440 milhões de euros, da Media Capital, que detém a TVI, mas o negócio aguarda ainda pareceres da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e da Autoridade da Concorrência (AdC).