Os ministros da zona euro acordaram já de madrugada, depois de 11 horas de reunião, disponibilizar um total de 10,3 mil milhões de euros para a Grécia, no âmbito do terceiro resgate financeiro. Era por este dia D que Atenas esperava, depois de no domingo ter o parlamento helénico ter aprovado mais medidas de austeridade.

A primeira tranche será de 7,5 mil milhões de euros e chegará ao país em junho, segundo o comunicado divulgado pelo Eurogrupo. 

Dívida: sim, mas...

O Fundo Monetário Internacional deverá participar no resgate, desde que a "análise à reestruturação da dívida mostre que a mesma se torne sustentável", afirmou o diretor da delegação do Fundo na Europa.

Na conferência de imprensa após o Eurogrupo, Poul Thomsen indicou que o FMI "sempre achou que a dívida é insustentável e que era necessário um alívio", cita a Lusa.

O responsável manifestou-se satisfeito com o acordo alcançado sobre "metodologia e objetivos" do processo de alívio da dívida.

O Eurogrupo tem vindo a admitir discutir um alívio da dívida grega, falando sempre em "debates sobre a sustentabilidade" da mesma, mas no comunicado que anunciou os pontos da reunião de ontem, a perspetiva era de "abordagem sequencial relativamente a possíveis medidas adicionais".

Seja como for, ainda é uma zona um pouco cinzenta, como se vê pelas declarações daquele responsável europeu.

A situação financeira da Grécia tem conhecido vários dias "D". Houve reuniões de carácter extraordinário do Eurogrupo,  meses e meses de negociações - na verdade, quase um ano - e muitos impasses pelo meio.

Portugal aplaude acordo

O ministro das Finanças português aplaudiu o acordo alcançado para a Grécia, em Bruxelas, onde marcou presença na reunião.

"O acordo atingido reforça a confiança na capacidade da construção daquilo que é o projeto europeu, da União Económica e Monetária"

Mário Centeno foi igualmente confrontado pelos jornalistas com as advertências do presidente do Eurogrupo, que vê "sérias razões" para sancionar Portugal e Espanha pelo incumprimento do défice de 2015. Desvalorizou, dizendo que o Governo "sabe exatamente o que tem de fazer".