O Brexit está a ter reflexos notórios, pela negativa, nas ofertas de emprego no Reino Unido. Os anúncios publicados online caíram a pique da semana anterior ao referendo para a seguinte: 47%, quase metade, segundo a consultora CEB.

Os números vêm referidos precisamente num jornal britânico, o Independent, que detalha que entre aquelas duas semanas as ofertas de trabalho caíram de 1.500 000 para 820.000, ou seja, uma queda de quase 700.000 anúncios.

A explicação para estes números está na incerteza que o resultado do referendo, favorável à saída do Reino Unido da União Europeia, comporta para a estabilidade da economia Britânica. 

A consultora que recolheu estes dados garante que uma queda de tal ordem de grandeza em anúncios em relação ao ano passado vai muito para além das flutuações normais, que normalmente podem estar entre 5% e 10%. 

Ou seja, olha para esta realidade como uma indicação de que as empresas com sede no Reino Unido estão a travar as contratações precisamente por causa do Brexit. Há, no entanto, a possibilidade de esta ser uma reação de choque inicial, mas também pode ser o início de uma tendência com impactos inevitáveis na economia.

A consultora varreu a Internet quer olhando para trabalhos a tempo inteiro, quer parcial, temporário e diversos vínculos contratuais. Consultou mais de 25.000 fontes de todo o mundo, incluindo placards e portais de agências, sindicatos e associações, bem como empresas que publicitam empregos nas suas secções destinadas a carreiras na Internet. 

A YouGov e o Centro de Pesquisa Económica e de Negócios britânicos deram conta que o pessimismo aumentou entre as empresas com o Brexit. Segundo a pesquisa que efetuaram, aumentou para 49% na semana que se seguiu ao referendo, comparando com os 25% da anterior. Estas estatísticas sobre o mercado de trabalho acabam por ser um reflexo desse sentimento, como de resto advertiu o Banco de Inglaterra.