A adesão à greve dos trabalhadores na central da Valorsul, em Loures, é de cem por cento, indicou hoje o sindicato, dia em que teve início uma jornada de luta de quatro dias contra a privatização da empresa.

«Aqui em São João da Talha entraram só os trabalhadores que vão fazer os serviços mínimos, ou seja, cinco trabalhadores. O que quer dizer que os restantes trabalhadores paralisaram» disse à Lusa Navalha Garcia, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas.

O dirigente sindical falava minutos após as 00:00, hora a que começou a greve de quatro dias, assinalada com a concentração de cerca de uma centena de trabalhadores junto à entrada da empresa.

Navalha Garcia esclareceu que os cinco trabalhadores que entraram ao serviço na Valorsul apenas o fizeram «para proteger o equipamento», frisando que a adesão à greve na central de incineração de resíduos sólidos urbanos é de «cem por cento».

Os restantes trabalhadores da Valorsul só começam a laborar às 08:00.

«Só por volta das 09:00 é que a gente sabe qual é a reação dos trabalhadores em relação à greve. A nossa perspetiva, e é aquilo que nós sabemos, é que há uma grande disponibilidade dos trabalhadores para fazer uma grande jornada de luta nestes quatro dias», vincou.

O sindicalista acrescentou que, neste momento, a Valorsul pretende receber o lixo dos municípios, mas deixa um aviso.

«Sabemos que, pelo menos, o município de Loures e da Amadora, através dos seus presidentes, já declararam que não vão enviar viaturas para a Valorsul. Estamos à espera que a Câmara de Lisboa tenha o mesmo posicionamento. Se eventualmente a Câmara de Lisboa entender enviar os carros aqui para a central ou para o sanitário de Mato da Cruz (Alverca), iremos trabalhar com o piquete para que não entre nenhum carro na Valorsul», sublinhou o dirigente sindical.

Em relação aos restantes municípios abrangidos pela Valorsul, Navalha Garcia frisou que «há câmaras que vão recolher o lixo» e que, ou elas próprias «farão o armazenamento temporário do lixo, ou vão tentar manter os resíduos nas viaturas», até ao final da greve.

Em causa está a privatização de 100% da participação do Estado na Empresa Geral de Fomento, uma sub-holding do grupo Águas de Portugal para o setor dos resíduos, aprovada no final de janeiro pelo Conselho de Ministros.

A EGF é responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos, através de 11 empresas concessionárias, da qual faz parte a Valorsul, situada no concelho de Loures e que serve 19 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona Oeste.

A empresa de resíduos Valorsul serve os municípios de Alenquer, Alcobaça, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lisboa, Loures, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Odivelas, Peniche, Rio Maior, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.