Os trabalhadores da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto revelaram esta quinta-feira ter decidido entrar em greve caso sejam «inconclusivos» os novos pedidos ao Governo para contratar motoristas e anular o concurso público de subconcessão da empresa.

 

Em moção aprovada no plenário da Comissão de Trabalhadores realizado esta manhã, a que a Lusa teve acesso, determina-se «mandatar as organizações representativas dos trabalhadores para legalizar períodos de greve como forma de contestar a concessão da empresa à operação privada», no caso de as novas diligências hoje decididas serem «inconclusivas».

 

Para além de exigirem ao Governo mais motoristas e a anulação do concurso público, os trabalhadores indicam outras exigências relacionadas com acidentes e agressões a funcionários devido ao excesso de horas extra e ao incumprimento de horários dos autocarros, respetivamente.

 

«Exigir uma vez mais ao ministro da Economia e ao secretário de Estado dos Transportes que autorizem a contratação com carácter urgente de motoristas em número suficiente para suprir ao défice no quadro de pessoal da empresa» foi uma das decisões dos trabalhadores no plenário desta manhã.

 

Na moção, a CT ficou ainda mandatada para exigir àqueles governantes “«a anulação do concurso público» considerado como «um retrocesso significativo na qualidade do transporte e um sério caso de retrocesso ambiental, com claro impacto na qualidade de vida do Grande Porto».

 

Isto devido à «redução imposta de 10% nos serviços, à execução de menos dois milhões de quilómetros na rede» e à possibilidade de «subconcessionar até 60% dos serviços», a par da «redução de número de trabalhadores que vai implicar por certo pior manutenção e menor garantia da qualidade do serviço».

 

Os trabalhadores alertam ainda para a «possibilidade de aquisição de viaturas mais poluentes e sem piso rebaixado».

 

As ORT foram também mandatadas para responsabilizar a tutela «pelas agressões constantes» aos colaboradores da empresa, fruto da «indisposição dos clientes, cansados de estarem horas na paragem à espera do autocarro que nunca chega».

 

Em causa, explica a moção, está a «falta diária de motoristas para efetuar os serviços que a empresa devia prestar».

Os trabalhadores da STCP reclamam a contratação de mais motoristas há vários meses e este mês cumpriram mesmo uma semana uma greve às horas extraordinárias por esse motivo.