Os trabalhadores da Soporcel, em greve desde terça-feira, aceitam levantar o segundo pré-aviso de greve se a administração reunir com eles no dia 01 de junho, mas esta só dialogará depois de levantado o pré-aviso.

«De acordo com a proposta aprovada hoje, em plenário, os trabalhadores levantam o segundo pré-aviso de greve»,para nova paralisação entre 02 e 05 de junho, «se a administração marcar uma reunião em que participem a Comissão Sindical, a Comissão de Trabalhadores e o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro Norte», disse ao final da tarde de hoje à agência Lusa Vítor Abreu, da Comissão Sindical da empresa da Figueira da Foz.

Segundo Vítor Abreu, até 31 de maio mantém-se em vigor o primeiro período de quatro dias de greve iniciado às 20:00 de terça-feira, com piquetes nas instalações da empresa a assegurarem que a unidade não recebe matéria-prima, nem escoa produto acabado.

Num comunicado enviado hoje, ao princípio da noite, à agência Lusa, a comissão executiva do grupo Portucel Soporcel afirma-se «disponível para dialogar», mas não «enquanto decorrer a greve ou a empresa estiver submetida a pré-avisos de greve».

Na sequência do plenário de trabalhadores da papeleira Soporcel, hoje, em Lavos (Figueira da Foz), a administração da empresa «quer deixar novamente bem claro aos colaboradores que continua disponível para dialogar brevemente sobre todos os temas do seu interesse e da empresa».

Mas, adverte,no mesmo comunicado, que «não é possível iniciar um diálogo genuíno e profícuo enquanto decorrer a greve ou a empresa estiver submetida a pré-avisos de greve».

Aliás, salienta que «este diálogo só não foi iniciado nas reuniões dos passados dias 21 e 22 de maio, com a Comissão Sindical e com a Comissão de Trabalhadores, porque o pré-aviso de greve recebido antecipadamente, retirou essa possibilidade».

«Compete agora à Comissão Sindical optar entre um diálogo construtivo, para o qual a Comissão Executiva tem repetidamente mostrado disponibilidade, ou a manutenção da greve e do pré-aviso de uma segunda greve», conclui o comunicado do grupo Portucel Soporcel.

Considerando «ambíguo» o comunicado da empresa, Vítor Abreu disse à Lusa que os representantes dos trabalhadores iriam encontrar-se com a direção fabril da unidade da Soporcel em Lavos, devendo tomar uma posição esta sexta-feira.

Os trabalhadores contestam as alterações ao fundo de pensões, que, de acordo com fonte sindical, passará do sistema atual, intitulado de «benefício definido» para um sistema de «contribuições definidas», em que a participação da empresa baixa para os 4% (podendo os colaboradores, voluntariamente, contribuírem com a percentagem que quiserem), mas o capital existente no fundo passa a depender das flutuações do mercado e outros aspetos.

Os trabalhadores alegam que com as novas regras vão ter um prejuízo de 40 a 60% nas pensões.

A unidade industrial da Soporcel em Lavos, que integra o grupo Portucel Soporcel, segundo maior exportador nacional em 2013, entrou em funcionamento em 1984 e desde essa data não havia registo da convocação de nenhuma greve dos trabalhadores.