Entre chegadas e partidas, não havia esta manhã sinais entre os passageiros de que estava a decorrer uma greve dos trabalhadores do aeroporto em Lisboa, e o ritmo visível era o de uma aparente normalidade, apesar de alguns atrasos.

Apenas os relatos de alguns passageiros permitiam perceber que nas chegadas ao aeroporto da capital portuguesa se foram vivendo alguns problemas e atrasos.

Um passageiro, que preferiu não dizer o seu nome, referiu ter esperado quase duas horas pela bagagem, quando normalmente espera no máximo 20 minutos.

Já Ivone, que chegou esta manhã de Paris, disse à Lusa que além de uma hora à espera das suas malas, esperou uma hora dentro do avião até poder sair.

«Hoje foi horrível», desabafou a passageira.

Tiago, um cidadão brasileiro que chegou a Lisboa via Milão, Itália, foi apanhado de surpresa pela greve dos trabalhadores da Groundforce, e depois de uma hora à espera para recolher a sua bagagem, percebeu que esta se tinha perdido. O mesmo se passou com as malas dos seus pais.

Nas partidas, poucas pessoas faziam a meio da manhã de hoje o ¿check-in¿ antes da viagem, e nenhuma se queixava de qualquer problema na entrega de malas ou volumes. Renata, uma passageira que também desconhecia a greve de hoje, disse não ter notado nada fora do normal ritmo do aeroporto, referindo que todos os procedimentos antes do embarque foram feitos sem qualquer problema.

O sindicato dos trabalhadores dos aeroportos declarou-se esta manhã «bastante satisfeito» com a adesão à greve dos funcionários da Groundforce, que supera os 90% em algumas áreas, e que está a provocar atrasos nas partidas de hora e meia.

«Estamos bastante satisfeitos com alguma adesão demonstrada aqui em determinadas áreas, fulcrais por serem sujeitas à adaptabilidade e a este tipo de horários que são bastante penosos e praticados há quase ano e meio», disse à Lusa Fernando Henriques, do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA).

Os trabalhadores da empresa de assistência nos aeroportos Groundforce estão em greve, em protesto contra a reorganização dos tempos de trabalho, e, de acordo com o sindicato, os efeitos sentem-se sobretudo nos setores afetos ao carregamento e descarregamento dos aviões e no serviço de reboque as aeronaves.

Já a Groundforce avança estimativas de adesão à greve na ordem dos 26,5% tendo em conta o total de trabalhadores que deviam estar hoje a trabalhar.

Em declarações à agência Lusa, Fernando Faleiro, do departamento de Comunicação e Marketing da Groundforce, referiu que a greve «não está a criar qualquer constrangimento» no funcionamento dos aeroportos.

O responsável admitiu apenas «ligeiros atrasos» devido à greve, enquanto outros atrasos se devem ao mau tempo.