Os trabalhadores das Minas da Panasqueira, Covilhã, estão hoje e na sexta-feira em greve para reivindicarem aumentos de salários, tendo a adesão ao turno da manhã ultrapassado os 90%, disse à Lusa o dirigente sindical José Maria Isidoro.

Esta é a segunda jornada de luta que os mineiros da Panasqueira cumprem este ano, depois de também já terem paralisado os trabalhos na mina no dia 10 de março.

Apesar das tentativas, a agência Lusa não conseguiu contactar a administração da empresa.

«Iniciámos este processo de reivindicação pela melhoria das condições de trabalho e pelo aumento dos salários, e só sairemos dele quando os interesses dos trabalhadores estiverem salvaguardados», disse o porta-voz do Sindicato da Indústria Mineira, afeto à CGTP.

De acordo com José Maria Isidoro, o sindicato apresentou um caderno reivindicativo que aponta um aumento de 55 euros aos ordenados-base, mas a empresa Sojitz Beralt, concessionária da exploração de volfrâmio, recusou avançar para a negociação por os trabalhadores não aceitarem alteração ao horário de trabalho.

O sindicalista garante que a empresa pretende que os trabalhadores passem a cumprir 10 horas de trabalho diário seguidas, em vez das oito horas atuais.

O horário de trabalho manter-se-ia com 40 horas semanais, mas os trabalhadores tinham de laborar quatro dias por semana e não cinco, como atualmente.

«É uma proposta quase indecente, que, a ser aceite, prejudicaria a vida social e familiar dos mineiros e que certamente aumentaria o stresse dos trabalhadores, o que poderia implicar mais acidentes de trabalho», fundamentou.

Para José Maria Isidoro, a exigência da empresa é «apenas uma manobra para condicionar os aumentos», para os quais, garante, «a empresa tem todas as condições para fazer face, já que tem lucros avantajados».

As 48 horas de greve arrancaram às 23:00 de quarta-feira, num turno que envolve cerca de 30 trabalhadores, 70% dos quais aderiram à greve.

Uma percentagem que subiu para cerca de 90% no turno das 07:00 às 15:00, que «é o mais significativo, porque envolve mais gente», referiu José Maria Isidoro, que está confiante que a elevada adesão se mantenha nos restantes turnos.

De acordo com o sindicato, trabalham atualmente nas minas mais de 360 pessoas.