A empresa Tovartex, que produz em Ovar meias da marca Falke, está a preparar o despedimento de 176 trabalhadores para encerrar a fábrica e deslocalizar a produção para um país do Leste europeu.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Ovar, Domingos Silva, afirma que "a autarquia foi muito recentemente informada dessa possibilidade pela administração da empresa, tendo essa assegurado desde logo que será cumprida a legislação em vigor, nomeadamente em matéria de direitos de trabalho e indemnizações compensatórias".

Realçando que o capital da Tovartex é detido em 100% pela multinacional alemã Falke, que adota "um modelo de produção assente na subcontratação de mão-de-obra com baixo valor acrescentado", o autarca declara que a unidade de Ovar está "à mercê da procura de um custo de produção mais baixo e, neste caso, da deslocalização para um país do Leste da Europa", como explica à Lusa. 

Um trabalhador que não quis identificar-se afirmou à Lusa que a produção "deve ir para a Sérvia", considerando que já em 2013 a empresa despediu 50 funcionários com o argumento da deslocalização para esse país - que também recebeu equipamento industrial antes instalado em Ovar.

Contactada pela Lusa, a responsável pela Comunicação da Tovartex confirmou o despedimento coletivo, mas não precisou quantos serão os funcionários a dispensar. Quanto à deslocalização da produção para a Sérvia, acrescentou: "Também não fazemos comentários sobre isso".

Em atividade em Ovar desde 1981, a Tovartex chegou a empregar cerca de 700 trabalhadores em 2004, sendo que em 2011 ainda tinha ao serviço quase 550 pessoas.

Entretanto, veio procedendo a despedimentos sucessivos e, segundo um comunicado do Bloco de Esquerda em fevereiro de 2015, nessa altura já só contaria com "cerca de 150" funcionários.

O vice-presidente da Câmara de Ovar admite que, em caso de deslocalização para outro país, a autarquia "nada pode fazer", mas informa que já manifestou à administração da empresa "a sua disponibilidade total para o estudo de um quadro de benefícios que permitisse a sua continuidade no concelho".

A Lusa procurou ouvir o Sindicato dos Trabalhadores do Setor Têxtil do Distrito de Aveiro, mas este esteve indisponível para comentar o assunto.