O presidente do grupo Montepio, que controla a Caixa Económica Montepio Geral, manifestou esta sexta-feira preocupação com a possibilidade de o Novo Banco ser comprado por estrangeiros, nomeadamente chineses, sublinhando a necessidade de acautelar o interesse nacional.

“Acho que não podemos perder a oportunidade de olhar para o interesse nacional”, disse à Lusa Tomás Correia, referindo-se à proposta que o Banco de Portugal terá recebido da China Minsheng para comprar mais de 50% da instituição, com dispersão das ações sobrantes em bolsa e aumento de capital.

Temos de pensar o que queremos para o sistema financeiro nacional, se queremos continuar a ter uma participação do capital nacional no domínio nacional financeiro, se a nossa economia pode ser mais eficiente e mais focada”, disse Tomás Correia em tom de aviso para os governantes.

O presidente do Montepio lembrou ainda o exemplo do setor segurador, no passado dominado por capitais nacionais e no qual atualmente apenas 10% das empresas são maioritariamente portuguesas.

O que trouxe esse capital estrangeiro aos seguros? Na minha opinião não acrescentou nada à indústria e do ponto de vista da liquidez, para o país este negócio mostra que é mais a liquidez que saiu do que aquela que entrou”, defendeu.

Tomás Correia criticou ainda a banca nacional: “Hoje, fora a Caixa Geral de Depósitos, o Montepio e o Crédito Agrícola, a banca é dominada por capital estrangeiro”.

Para o presidente do Montepio, a melhor solução para o Novo Banco e para a economia nacional seria “encontrar uma solução bem desenhada mais ao encontro dos interesses nacionais”.

Em janeiro, questionado sobre a venda do Banif ao Santander Totta, Tomás Correia afirmou que “o grande vencedor” dessa operação era o interesse espanhol em Portugal.