Um responsável europeu afirmou esta sexta-feira que os testes de stress realizados à banca portuguesa não foram tão severos como os da Irlanda e que, caso tivessem tido a mesma exigência, "problemas como o do Novo Banco podiam ter sido evitados".

Filip Keereman, técnico da direção-geral para a Estabilidade Financeira da Comissão Europeia, esteve hoje em Lisboa para participar num seminário organizado pela Representação da Comissão Europeia em Portugal, tendo falado sobre os desafios dos setores financeiros dos países que passaram por programas de assistência.

O responsável europeu afirmou que, "em Portugal, a avaliação da qualidade dos ativos [da banca] talvez não tenha sido tão severa como a que foi feita na Irlanda".

Keereman disse mesmo que "talvez, se isso tivesse sido feito, problemas como o do Novo Banco, que foi uma surpresa, pudessem ter sido evitados" e concluiu que "a ação antecipada é muito importante também no setor bancário".

O Novo Banco foi criado no início de agosto de 2014, na sequência da resolução do Banco Espírito Santo (BES), e é um banco de transição detido integralmente pelo Fundo de Resolução bancário.

Este banco de transição tem de ser vendido no máximo até agosto de 2017, depois de a Comissão Europeia ter estendido por um ano a data para a sua alienação.

A instituição teve prejuízos de 980,6 milhões de euros em 2015, justificando mais de metade deste resultado negativo ainda com o 'legado' do BES. Já o resultado operacional (antes de impostos, imparidades e provisões) foi positivo em 125 milhões de euros em 2015.

Durante a sua intervenção, Filip Keereman destacou, entre os problemas do setor bancário português, a fraca rentabilidade dos bancos: "em Portugal, a rentabilidade vai ser um assunto difícil por causa dos créditos malparado e da contribuição que os bancos têm de fazer para o Fundo de Resolução".