Os resultados das avaliações do Banco Central Europeu (BCE), nas quais a Caixa Geral de Depósitos (CGD) teve nota positiva, demonstram a «solidez» e capacidade de financiar a economia portuguesa da entidade, considerou o banco público este domingo.

Testes de stress: BCP é o único banco português que chumba

«A CGD mostrou, com este exercício, a sua solidez como instituição líder do sistema bancário português capaz, de acordo com o seu mandato, de contribuir para o desenvolvimento económico nacional ao serviço dos seus clientes», lê-se num comunicado enviado pelo banco liderado por José de Matos à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Segundo o banco estatal, os exames conduzidos pelo Banco Central Europeu (BCE) e pela Autoridade Bancária Europeia (EBA) foram um exercício «muito exigente» que confirmou «que o balanço da CGD tem capacidade para suportar critérios de valorização de ativos muito rigorosos».

E acrescentou que o seu balanço mostrou capacidade de resistência perante «os efeitos de um hipotético cenário de uma nova crise de dívida soberana num contexto em que o ponto de partida é caracterizado por uma situação económica ainda frágil».

A CGD sublinhou que a realização destes exames à escala europeia constitui um «marco histórico» na construção da União Bancária e que é um «primeiro passo fundamental» no sentido da harmonização das práticas de supervisão na Europa.

Serve ainda os propósitos de aumentar a transparência dos balanços dos bancos e de reforçar a confiança, segundo o banco público.

A entidade frisou ainda que os pressupostos em que assenta o cenário adverso dos testes de stress europeus são «plausíveis mas extremas» e, desse modo, «com baixa probabilidade de se verificarem».

A CGD passou nas avaliações do BCE e da EBA, ficando com o rácio de capital
Common Equity Tier 1 (CET1) - usado para medir a solvabilidade dos bancos - no cenário base dos testes de esforço à banca europeia de 9,4% em 2016, acima do mínimo de 8% definido no exercício, e no cenário adverso fica nos 6,1%, também acima dos 5,5% exigidos pelas autoridades europeias.

De resto, o rácio de capital CET1 apresentado pelo banco público no final de dezembro de 2013 foi de 10,8%, porém, após a avaliação de ativos feita pelo BCE, esse indicador financeiro cai ligeiramente para 10,4%. Ou seja, o impacto do exercício no CET1 da CGD foi de 281 milhões de euros.

O Banco Comercial Português (BCP) foi o único dos três bancos portugueses que chumbou no cenário mais adverso dos testes de stress conduzidos pelas autoridades europeias, enquanto a CGD e o Banco BPI passaram no exame.