A ex-presidente da STCP Fernanda Meneses defendeu hoje que o risco assumido pelo Governo com o cancelamento dos contratos swap é «equivalente» ao assumido na sua contratação, questionando a demora do Governo em fazer «tanto barulho» com os swap.

«Quem fechou o contrato swap [com o BNP Paribas] fê-lo com certeza convicto de ter beneficiado o erário público, mas não pode garantir que assim seja. Envolve um risco tão grande como aquele que assumimos quando foi feito», afirmou hoje Fernanda Meneses na comissão de inquérito parlamentar aos swap contratados pelas empresas públicas.

A gestora questionou por que é que o Governo olhou tão tarde para os swap: «Porque é que só em abril deste ano se faz tanto barulho com os swap, uma vez que eles eram conhecidos, porque é que já não foram encerrados há dois anos?».

«Registo que fiquei muito surpresa quando apareceu o caso dos swap apenas em abril deste ano, uma vez que os problemas começaram a surgir quando as taxas desceram abruptamente», declarou.

Confrontada pelo deputado do PS Neto Brandão sobre a decisão do Governo de negociar e cancelar contratos considerados problemáticos para o erário público, a gestora defendeu que «há um risco equivalente ao fechar a operação», uma vez que é impossível antecipar a evolução das taxas de juros até 2022, prazo do referido instrumento financeiro.

«As operações só podem ser avaliadas quando chegarem ao seu termo. Não passaram sequer seis anos. Faltam oito anos e meio. Porque é que se fala de um risco que se tornou efetivo pela alteração das condições até agora, quando as condições podem mudar até 2022», questionou.

«Qualquer dia são pedidas responsabilidades a quem fechou agora as operações swap», ironizou.