A presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP) afirmou no parlamento que o ajustamento da economia portuguesa é «enfraquecido» porque está «muito concentrado no lado orçamental«, desconsiderando a economia e o lado institucional.

Teodora Cardoso, que está hoje a ser ouvida na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública na discussão na especialidade do Orçamento de Estado para 2014 (OE2014), disse que, desde 2010, o país conseguiu «um ajustamento muito significativo, mas muito aquém do desejado porque esse instrumento está demasiado concentrado no orçamento».

«O ajustamento da economia tem de ser visto em termos globais e prosseguido simetricamente na política orçamental, no ajustamento da própria economia e no enquadramento institucional», afirmou a economista, referindo que «quando institucionalmente há medidas que têm de ser retiradas ou substituídas que reconhecidamente são menos eficientes».

A presidente do CFP referiu-se também às previsões orçamentais, considerando que «precisam de ser prudentes ¿ e até aqui não foram ¿ e que precisam de ser plurianuais e transparentes».

Teodora Cardoso afirmou que «não há fundamento suficiente na proposta [do Governo] para o crescimento do investimento» e que a previsão de recuperação do consumo privado «não é uma estimativa prudente porque há medidas e consequências dessas medidas a incorporar».

A antiga administradora do Banco de Portugal alertou que o principal risco ao Orçamento do Estado para 2014 é «a ausência de um programa estruturado» de consolidação orçamental.