A presidente do Conselho das Finanças Públicas (CFP), Teodora Cardoso, considerou hoje que o cenário macroeconómico previsto pela OCDE é mais benéfico para Portugal no médio prazo do que o previsto pelo Governo no Orçamento do Estado para 2015.

«Gostava de partir para o Programa de Estabilidade de um cenário mais parecido com o da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico]. Se o ponto de partida for o da OCDE, esse ajustamento era mais fácil do que vai ser a partir do programa de Governo», disse hoje Teodora Cardoso.

A presidente do CFP falava à agência Lusa no final de uma conferência para a apresentação do relatório bianual da OCDE sobre a economia portuguesa, que apresenta um cenário macroeconómico para 2015 menos otimista do que o antecipado pelo Governo no Orçamento do Estado do próximo ano.

No «Economic Survey 2014» de Portugal, a instituição internacional prevê, para o próximo ano, um crescimento económico de 1,3% (abaixo dos 1,5% previstos pelo Governo), um défice de 2,9% (acima dos 2,5%) e uma dívida de 128,3% (contra os 123,7% estimados) do Produto Interno Bruto (PIB).

Teodora Cardoso apontou que o cenário previsto pelo Governo prevê uma taxa de crescimento da procura interna que «provavelmente vai ter de recuar outra vez e portanto vai ser mais difícil».

«O ajustamento externo vai ser mais forte precisamente do que seria se o ponto de partida fosse o cenário da OCDE», considerou.

Questionada sobre a proposta orçamental é eleitoralista, Teodora Cardoso respondeu que «toda a gente que está na política vai ser eleitoralista no ano que vem».

O relatório foi apresentado na conferência pelo economista da OCDE responsável por Portugal, Jens Arnold, que defendeu, em declarações à Lusa, que a evolução do salário mínimo no futuro deve ser alinhada à evolução da competitividade e que a dívida das empresas privadas que ainda são viáveis deve ser reestruturada.

Estas duas recomendações, bem como a redução de funcionários públicos, a eliminação da taxa intermédia do Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA) e o alargamento do Rendimento Social de Inserção (RSI) são outras das principais reformas defendidas pela OCDE no relatório hoje divulgado.