O ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos considera «muito importante a intervenção do Banco de Portugal» ao evitar problemas de contágio do BES, alertando que o desafio é «assegurar aos mercados que se trata de um facto isolado».

Durante um almoço-debate do International Club of Portugal, que decorreu esta quinta-feira no Porto, Teixeira dos Santos foi questionado por um elemento da assistência sobre o facto de o ex-presidente executivo do Banco Espírito Santo (BES) ter começado a ser ouvido na qualidade de arguido pelo juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal, no âmbito da «Operação Monte Branco», tendo o ex-governante se escusado a comentar estes eventos.

Sobre a crise no BES, o antigo ministro do Governo de José Sócrates considerou que «foi muito importante a intervenção do Banco de Portugal em fazer com que os riscos sobre a instituição bancária fossem devidamente delimitados e confinados e evitar problemas de contágio para o setor financeiro no seu conjunto».

«O primeiro grande desafio que se coloca às autoridades envolvidas é assegurar aos mercados que se trata de um facto isolado. Isto é, de uma instituição que tinha um conjunto de problemas, que atingiram uma magnitude tal que já não era possível resolver os problemas de uma forma discreta e interna», enfatizou.

Para Teixeira dos Santos, «houve momentos críticos» neste processo, recordando que «o BES foi notícia internacional» porque se vive «no rescaldo de uma crise que afetou muito os sistemas financeiros» e «aparecer um problema num banco, na área do euro e num país na periferia do euro, que esteve intervencionado (...) foi algo que alarmou e assustou».

O ex-ministro com a pasta das Finanças elencou as condições a ser asseguradas para que não haja grandes riscos «de contagiar ou de gerar uma crise sistémica».

Entre elas, Teixeira dos Santos defende «que a solução do caso é estritamente privada, isto é, que não haverá intervenção de dinheiros públicos», que «os acionistas atuais acomodem as perdas» e ainda que «haverá acionistas que injetarão capital para restaurar a solidez da instituição».

Na opinião de Teixeira dos Santos, há uma outra lição a retirar desta crise do BES que «tem a ver com as regras do chamado governo das sociedades».

«Estou a pensar na situação da PT e da relação da PT com o BES, porque de facto nós tivemos uma empresa importante no quadro empresarial português que fez um empréstimo a um acionista do BES que corresponde quase a metade do seu valor e é de facto uma operação que pode pôr em risco uma parcela importante do valor da empresa», especificou.

De acordo com o professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, «muitos se interrogam como é que são possíveis operações desta natureza», sendo necessário «dissipar essas dúvidas e refletir sobre o quadro de regras do bom governo das sociedades para podermos acautelar melhor isto».