A Toshiba, a gigante japonesa de tecnologia, com 142 anos, está em maus lençóis financeiros.

Depois de ter falhado por duas vezes os prazos de entrega dos resultados do terceiro trimestre de 2016, o empresa revelou perdas operacionais de 4.900 milhões de euros para os nove meses terminados em dezembro e disse que o capital próprio (detido pelos acionistas) é negativo em 1.900 milhões de euros, apesar de as contas não ter sido aprovadas pela auditora PricewaterhouseCoopers Aarata (PwC Aarata).

O relatório desta terça-feira foi acompanhado de um aviso legal, no qual a PwC Aarata explica que não concluiu a revisão das contas porque:

•             Um relatório interno revelou que o processo de compra de uma empresa de construção nuclear, a CB&I Stone & Webster, foi “inadequado”, tendo sido aberto um inquérito para perceber se houve pressões internas para que o preço fosse inflacionado; 

•             Como esse relatório ainda está a ser avaliado, pela PwC Aarata, ainda não foi possível determinar o impacto da operação, já referida, nos resultados da tecnológica.

Segundo a Bloomberg, o presidente executivo da empresa, Satoshi Tsunakawa, deve falar ainda hoje aos jornalistas.

A incapacidade da gigante tecnológica, para apresentar, resultados positivos, tem aumento a especulação em torno de uma possível saída da bolsa de Tóquio, e arrastado as ações para perdas de mais de 20% este ano.

A japonesa já tinha falhado alguns reportes do ano fiscal antes da atual crise. A empresa voltou atrás nas apresentações de resultados, no meio do alegado escândalo financeiro em 2015, atrasando a divulgação em cerca de quatro meses. Em teoria não há um limite para o número de vezes que uma a empresa pode solicitar uma extensão do prazo para a divulgação das contas. Mas a Tokyo Stock Exchange (TSE) mantém a Toshiba na sua lista de ativos sob alerta, em relação ao resultado de dezembro, depois de ter sido incluída nesta lista pelos resultados, alegadamente inflacionados, entre 2008 e 2015.

No mês passado a empresa apresentou um relatório sobre o plano que pretende implementar para aumentar o controlo interno. Se for considerado insuficiente a Toshiba pode menos sair da lista da TSE.

No final de março, a Toshiba declarou a bancarrota da sua unidade nuclear, a Westington Eletric - empresa que tinha comprado a CB&I Stone & Webster- para poder avançar com um processo de reestruturação.