O bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) elogiou este sábado a decisão de substituir os automóveis por certificados de aforro na Fatura da Sorte, o que, disse, “devolve dignidade ao processo”.

“Dignifica-se o ato, o premiado e o prémio”, disse Domingues Azevedo, a propósito da decisão do Governo, referida hoje à Lusa por fonte do executivo, de passar a sortear certificados de aforro em vez dos automóveis, que estavam a ser dados desde o ano passado, quando foi criado o sorteio para incentivar os contribuintes a pedir fatura.

A OTOC sempre se mostrou contra o sorteio de automóveis e hoje o bastonário afirmou à Lusa que a atribuição de certificados de aforro “mantém intacto o interesse em pedir a fatura, mantém íntegro o princípio e deixa maior flexibilidade de utilização do prémio”.

Tem ainda a aliciante, apontou, de constituir um incentivo à poupança, além de ser flexível e digno. Depois, acrescentou Domingues Azevedo, não se está a privilegiar uma marca e não se associa ao sorteio uma imagem mercantilista, “uma espécie de rifa” paga com os impostos e, por isso, com o “empobrecimento” dos contribuintes.

Para o bastonário, que não era contra o princípio mas contra o processo, o sorteio de um automóvel “desacreditava e desmerecia o esforço que as famílias fazem no pagamento dos seus impostos”.

Por exemplo, indicou, um casal com um ordenado de 700 euros não teria rendimento para suportar o veículo e se o vendesse, porque na realidade o que precisava era de obras em casa, iria perder dinheiro por causa da desvalorização.

Segundo a fonte do Governo, a alteração ao prémio deve acontecer a partir de abril e os valores dos certificados de aforro serão semelhantes ao prémio atual, cerca de 40 mil euros.

Este ano já foram sorteados 52 automóveis de gama alta e no final do ano serão sorteados três automóveis Audi A6 no sorteio extraordinário, de 30 de dezembro.

O sorteio Fatura da Sorte foi criado pelo Governo liderado por Passos Coelho para incentivar os contribuintes a pedirem fatura, auxiliando no combate à fraude e à evasão fiscal.