O presidente do Tribunal de Contas pede «justiça e da cidadania» nas medidas que vierem a ser introduzidas no Orçamento do Estado para 2014, considerando que «sobriedade é muito mais importante do que a austeridade», porque «a sobriedade é permanente, a austeridade é momentânea. A sobriedade é justa, a austeridade pode ser cega».

Guilherme d¿Oliveira Martins, que falou aos jornalistas à margem do XIV Congresso Internacional de Contabilidade e Auditoria, não quis comentar diretamente as notícias de um novo corte de 10% nos salários dos funcionários públicos, mas sublinhou a propósito que «há um horizonte que não podemos esquecer: é o horizonte da justiça e da cidadania».

«Não podemos deixar de ter presente, sempre, em quaisquer medidas, os cidadãos e a justiça distributiva relativamente aos mesmos», reforçou.

Insistindo na necessidade de se «garantir que haja medidas justas, que correspondam ao cumprimento das nossas obrigações» internacionais, o presidente do Tribunal de Contas alertou também para os efeitos nocivos da «multiplicação dos comentários».

«Os tribunais de contas tiveram nos últimos tempos um reforço das suas competências, esse reforço vai ser muito importante, designadamente, nos planos cautelares que vão ter lugar na sequência das medidas tomadas em virtude da crise, e por isso tenho insistido num ponto: mais do que multiplicar os comentários, é indispensável criarmos condições para terminarmos bem o plano de resgate [financeiro de Portugal], que terminará em 2014», disse, citado pela Lusa.

«Isso é que é fundamental. Terminarmos bem esse plano de resgate, cumprirmos os nossos compromissos, e acabar com uma situação de tutela», disse.