Conhecido na área por ser o "guru" da Estratégia" ou o "Sr. Estratégia", Kenichi Ohmae vai direto ao assunto: “É útil resistir-lhes? Não penso que seja. Haverá alguém em Portugal ou na União Europeia que poderia fazer algo assim”. Fala de quê? Da Uber. 


Em Portugal, autodenominado serviço de partilha de boleias tem sido alvo de polémica e de vários protestos por parte dos taxistas. 

O gestor e presidente da Business Breakthrough vai estar no Porto na próxima quinta-feira e deixa, desde já, um conselho às outras companhias: o melhor é tentar combater a Uber de outras formas.

Em entrevista à Lusa, semanas antes da participação como orador principal, na Invicta, na Cimeira QSP’16 – “A nova era global”, Ohmae referiu que “não há nenhuma razão para que alguém em Portugal não faça melhor" do que a Uber, "desenhado à medida do mercado português”.

E, para ilustrar, dá o exemplo da rede Airbnb e dos milhares de turistas chineses que a usam no Japão. São empresas que “se movem mais rápido do que a capacidade dos governos de as prender”, ou seja, “pode ser feito durante algum tempo, mas o que é que acontece a seguir?”

“Encorajaria toda a gente a pensar em derrotá-los de maneiras diferentes, porque vocês conhecem melhor os clientes e estou certo de que conseguiriam desenvolver um sistema mais à medida e próximo da comunidade, do país, da região"

O gestor japonês faz notar que “toda a indústria está a mudar neste momento”. Empresas como a Uber e a Airbnb “estão a aproveitar-se de um sistema que é comum pelo mundo fora”, estabelecendo contacto direto com o utilizador-final.

“Isto é uma mudança enorme que não antecipávamos há cinco anos, mas que está a acontecer uma atrás da outra. Em primeiro lugar através do smartphone, mas também através da plataforma de comunicação”, lembrou.
Ao mesmo tempo que esta mudança ocorre, há quem procure proteger o seu negócio, “tal como as empresas de táxi japonesas são empurradas para um canto por causa de todos os condutores e passageiros que estão interligados por GPS”.

Daí a constatação: “Não penso que se possa segurar a Uber durante muito tempo. Igual com a Airbnb”.

O que diz o Governo

Ainda esta semana, o ministro do Ambiente defendeu que "é evidente" que a Uber "é ilegal". Já a Uber entende que o problema deve resolver-se, antes, mediante revisão regulatória no setor da mobilidade rodoviária. Numa reação às palavras do ministro, a empresa sublinha que não é um operador de transporte, mas sim uma plataforma de tecnologia que liga pessoas a prestadores de serviços de intermediação eletrónica.


Esta quinta-feira, de novo o Governo veio falar sobre o assunto, com o secretário de Estado adjunto e do Ambiente José Mendes considerou que a concorrência ao serviço dos táxis “deve também obedecer aos requisitos exigidos aos taxistas”.


Até porque, “enquanto prestadores de um serviço que é público, os taxistas estão vinculados ao cumprimento e obrigações legai" e se a concorrência "está no terreno através de plataformas", "deve obedecer" aos mesmo requisitos que são exigidos aos táxis.

Na sessão de abertura do Fórum Mobilidade e Sistema Metropolitano de Transportes: Direito à Mobilidade com Transportes Públicos Sustentáveis, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa. José Mendes afirmou que a Uber oferece um “serviço perfeitamente similar ao serviço de táxi”.

“As regras têm de ser cumpridas porque, se há requisitos para quem presta determinados serviços, têm de ser cumpridos. Quem transporta no terreno é um operador de transporte e um operador de transporte tem de obedecer a requisitos”


O governante disse ainda que este é “um problema europeu, que ainda não está bem resolvido”, pelo que “importa perceber se há uma diretiva europeia” que o regule.