A Câmara de Lisboa já arrecadou cerca de 640 mil euros este ano com a cobrança de taxas municipais relativas à ocupação de espaço público para filmagens, setor que está em expansão apesar das queixas dos moradores.
 

“Em 2015, acho que vamos chegar aos 700 pedidos de filmagem. Temos sempre vindo a notar um crescimento desde 2012”, disse à agência Lusa a coordenadora executiva da Lisboa Film Commission, Rita Rodrigues.


Segundo dados desta entidade – criada pelo município há três anos para agilizar produções da indústria cinematográfica e audiovisual na cidade –, no ano passado registaram-se 630 pedidos de filmagem e de sessões fotográficas, que se traduziram em 630 mil euros de receitas com licenciamento.
 

Em 2012, “registavam-se cerca de 200 pedidos de filmagens […], portanto houve um crescimento de quase 200%, o que é uma coisa enorme”, observou Rita Rodrigues.


As licenças referem-se à ocupação do espaço público, estacionamento, alterações na iluminação pública e aluguer de espaços municipais, como cemitérios, piscinas, palácios, museus.

As taxas aplicadas podem custar “300 euros ou até muito mais”, apontou a responsável, referindo que “esse dinheiro depois é canalizado para tornar a cidade mais bonita, para arranjar os jardins, os passeios, as estradas”.
 

“A cidade também ganha porque estamos a criar empregos, a dinamizar a economia local e a gerar novas competências nas indústrias criativas e culturais”, adiantou.


Excetuam-se projetos independentes e de estudantes, para os quais existe isenção de taxas e apoio financeiro municipal.

Cristina Matos Silva, ‘film commissioner’ da autarquia, salientou que, “com todas as adversidades que têm acontecido pelo mundo inteiro, Lisboa tem sido um destino cada vez mais não só de turismo, mas também de produções”, situação favorecida, a seu ver, pelo clima, paisagem e pela população, que é “muito simpática e afável”.

Rita Rodrigues e Cristina Silva falavam à Lusa num bairro residencial da Avenida Estados Unidos da América, em Alvalade, onde a SP Televisão se encontrava em filmagens para uma série televisiva.

A coordenar os trabalhos, o produtor Daniel Gonçalves explicou que o local foi escolhido para figurar como “a residência de um dos personagens”.
 

“Os moradores dos prédios foram consultados para saber se nos deixavam utilizar a fachada do prédio deles como cenário natural”, acrescentou.


“Normalmente [os moradores] são recetivos e gostam, sentem um bocadinho a magia da televisão, de ver um ator conhecido sair do prédio deles”, disse Daniel Gonçalves.
 

“Depois, como em todo o lado, há o reverso da medalha. Há uns que são assim mais empedernidos e que não nos gostam muito de ver ocupar tanto espaço na via pública ou de ter tanto barulho à porta”, contou.


Exemplo disso são os residentes do centro histórico, uma das zonas mais procuradas da cidade, juntamente com o Parque das Nações.

A presidente da associação de moradores das zonas Cais do Sodré, Santos, Príncipe Real e Bairro Alto Aqui Mora Gente, Isabel Sá da Bandeira, referiu que “é sempre muito desagradável quando as filmagens se instalam porque, por mais cuidado que tenham, torna-se um transtorno”.

Apesar de considerar positivo “a economia estar a mexer”, a representante criticou a “falta de alternativas para os moradores”.

Rita Rodrigues, da Lisboa Film Commission, afirmou que “não há muito a fazer, a não ser um trabalho antecipado […], de avisar muito previamente as pessoas que moram nos locais”.