Com os juros baixos (negativos no caso da Euribor) até parece que é melhor ter uma taxa fixa no crédito à habitação, antes que comecem a subir..., mas a verdade é que a resposta não é linear e depende do que prefere para as suas finanças pessoais. Não se iluda e informe-se. Lembre-se ainda que, se quiser amortizar o empréstimo, também paga

Para nos ajudar neste tema, o economista da Deco, Vinai Pranjivan, esteve no espaço da Economia 24 do “Diário da Manhã” da TVI.

Taxa fixa, variável ou mista. Qual a melhor opção?

A taxa variável é a mais conhecida de todos – mais de 90% dos contratos são feitos com esta taxa. É a combinação entre a famosa Euribor, que tem diferentes prazos, e o spread, o valor que o banco cobra por emprestar dinheiro.

Euribor + spread = taxa variável

Esta taxa varia de acordo com a evolução da Euribor ao longo da vida do empréstimo. Acompanha a evolução do mercado de crédito.

A taxa fixa, pelo contrário, é um valor que é negociado no momento da contratação do crédito e que, em princípio seria pela duração do empréstimo total – com uma prestação sempre igual.

Posso ter um empréstimo com taxa fixa durante 30 anos, por exemplo?

Se conseguir encontrar um banco que a pratique. E este é um ponto importante porque há poucos bancos que oferecem taxa fixa a longo prazo, acima de 20 anos – possivelmente só dois ou três.

Há ainda a taxa mista?

Sim. Nunca se houve falar dela, mas é a mais oferecida pelo mercado atualmente. É a combinação de uma taxa fixa, para um período inicial – entre os três e 10 anos – e passado esse período passa para o modelo de que estávamos a falar, de taxa variável.

Há inclusive dados, recentes, do Banco de Portugal sobre o fato de opção por esta taxa mista estar a crescer?

Sim. No último ano foi este modelo de taxas que teve maior crescimento dos três modelos de crédito à habitação.

Qual das três taxas é melhor?

A vantagem da taxa variável é a de acompanhar o mercado. O que consumidor pode ficar, mais ou menos, ciente de que se as condições do mercado se mantiverem a taxa variável acompanhará essa tendência. Mas a história mostra-nos que há momentos, que são muito complicados. Em 2008 a taxa Euribor atingiu o seu máximo histórico, chegando quase a 5% e a esta ainda se tem que acrescentar o spread. Nessa altura, quem tinha taxas variáveis pagava prestações muito altas.

Com a taxa fixa isso não acontece. O lado negativo: em regra, no momento da contratação, a taxa fixa é mais alta que a taxa variável (o somatório da Euribor + spread).

A Deco tem feito algumas comparações que mostram o que disse …

Comparámos a evolução das Euribor, a seis e 12 meses, nos últimos 10 anos e desde a sua criação em 1999. O que verificámos é que os valores da Euribor, em média, andaram na casa dos 2% - sendo que o valor mais alto foi em 2008, quando chegaram quase aos 5%. Somando esses períodos e olhando para as ofertas de taxas fixas, salvo raras exceções nunca compensou ter uma taxa fixa.

Só compensará para o consumidor que quer mesmo assegurar-se que tem aquele valor de prestação sempre, sem necessidade de maiores gastos, quando sobe a Euribor?

Certo. E há mais um detalhe que tem a ver com taxa de penalização por amortização antecipada.

Se o consumidor quiser pagar o empréstimo antes?

No caso dos consumidores que conseguem fazer poupanças e vão amortizando o crédito, as taxas de amortização, prevista por lei, são diferentes. Na taxa variável, o máximo que o banco lhe pode cobrar 0,5% do valor amortizado. No caso da taxa fixa esse valor sobe aos 2%, quatro vezes mais.

Que ofertas existem hoje no mercado?

O que temos observado é que, no caso da taxa variável, o spread tem baixado e está entre 1,25 e 1,5%. Na taxa fixa é complicado dizer porque, em média, está na casa dos 3%. Ou seja, Euribor + 1,5% = menos 1,5% (porque a Euribor esta negativa), isto para a taxa variável,  que compara com os tais 3% da taxa fixa.