Em tempo de loucura no mercado imobiliário, o melhor mesmo é estar atento a qualquer oportunidade e a renegociação do spread – a taxa que o banco lhe cobra por lhe emprestar dinheiro para comprar uma casa –, que leve a uma descida do mesmo, é sempre uma poupança no orçamento familiar.

Esta é uma boa altura do ano para renegociar o seu empréstimo (esta taxa) porque muitas vezes as pessoas pensam que um crédito à habitação “naquele banco” é para o resto da vida, mas pode escolher outro e ficar bem melhor. Ou então conseguir ficar no mesmo com uma taxa mais baixa.

O Hugo Silva, consultor imobiliário, que esteve no espaço de Economia 24, no programa “Diário da Manhã” da TVI, não tem dúvidas que este é um bom momento para a renegociação do spread. Obviamente se estiver alto, sobretudo acima de 2%.

“Esta é uma questão histórica. Há uns anos os spreads rondavam 3,5 a 4%. Hoje consegue com facilidade um abaixo de 2%”, assegura.

Por isso, se é o seu caso não tenha receio: “Vá trocar porque está a pagar muito. E o impacto no que paga, no final do mês, será considerável.” Ou pelo menos, vá ver as opções que têm de mudança.

Acresce que a médio prazo, a taxa Euribor, começará a subir, embora continuem negativas a 3, 6 e 12 meses. De resto, dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelaram esta semana que em agosto, a taxa de juro e prestação média vencida subiram.

Geralmente o mercado equilibra entre subida do spread e descida da Euribor, que foi o que se verificou nos últimos anos. Agora estamos a assistir ao movimento contrário, mas, por isso, também, é que será bom renegociar o spread se for elevado [as taxas Euribor tendencialmente vão voltar a subir]”, alerta Hugo Silva.

Renegociar o spread pode ser também uma boa opção porque os bancos estão outra vez recetivos ao financiamento. É verdade, que não se chega a valores de 100% de financiamento, mas já é possível conseguir até em torno de 80% do valor da avaliação do imóvel. No caso da renegociação, o efeito verifica-se “ao nível dos contratos, já existentes de clientes cumpridores, que os bancos estão dispostos a irem buscar à concorrência.” Principalmente contratos entre 2011 e até 2015.

Em relação às penalizações praticamente não há: “Antes havia contratos que obrigavam a uma ligação ao banco por cinco a 10 anos. Já não é assim”, assegura o especialista.

Mesmo que tenha uma penalização, hoje são baixas e, não será por esse valor que vale a pena ficar agarrado ao contrato.

Quanto aos custos da mudança de banco, se for a opção, Hugo Silva diz que devem rondar os 600 euros. Entre cerca de 250 pela escritura hipotecária e os restantes para avaliação e comissões.