Os governadores do Banco Central Europeu (BCE) reúnem-se esta quarta-feira e devem decidir manter as taxas de referência inalteradas nos 0,05% e prosseguir com as compras de dívida soberana, segundo analistas contactados pela agência Lusa.

Da reunião em Frankfurt, na Alemanha, os analistas financeiros contactados pela Lusa não esperam muitas novidades: a taxa de referência deve manter-se inalterada nos 0,05% e o presidente do BCE, Mario Draghi, deverá fazer uma avaliação positiva do primeiro mês do programa de compra de dívida pública, indicando que o quantitative easing é para continuar.

Para Filipe Garcia, presidente do IMF – Informação de Mercados Financeiros, será interessante perceber como é que o BCE irá gerir o problema da implementação da política, já que ela está a levar à distorção dos mercados monetário e obrigacionista, considerando que «a forma como o BCE irá gerir a possível escassez de títulos para compra é também um ponto a ter em atenção para o futuro».

Também a analista financeira do Departamento de Estudos Económicos do banco BPI, Teresa Gil Pinheiro, espera de Mario Draghi uma avaliação positiva do primeiro mês do quantitative easing, podendo «ser referido o cumprimento (e até ultrapassagem) dos objetivos pretendidos, na medida em que se observou uma apreciação dos ativos financeiros».

«O que a médio prazo poderá traduzir-se num maior relaxamento das condições de concessão de crédito à economia, contribuindo para a dinamização da atividade económica, nomeadamente através do aumento do investimento», admitiu Teresa Gil Pinheiro.

Também o economista-chefe do banco Montepio, Rui Bernardes Serra, espera uma avaliação positiva do primeiro mês do programa de compra de dívida soberana, já que «a inflação começou a acelerar». Segundo divulgou o Eurostat, a taxa de inflação anual na zona euro em março foi de -0,1% face aos -0,3% de fevereiro.

No entanto, «apesar dos desenvolvimentos, a inflação ainda está bem abaixo do target [objetivo de médio prazo do BCE de uma taxa de inflação próxima, mas abaixo de 2%], a economia da zona euro ainda está longe de recuperar os níveis pré-crise e o desemprego ainda está muito elevado», afirma Rui Bernardes Serra.

Os analistas contactados pela Lusa admitem que da reunião de governadores não resulte nenhuma informação sobre a Grécia, devendo apenas ser reiterada a intenção do BCE em aceitar «dívida grega caso o Governo grego consiga um entendimento com os seus congéneres europeus».