O ministro da Economia, Pires de Lima, voltou esta terça-feira a criticar a decisão da Câmara de Lisboa de aplicar novas taxas turísticas, de um euro, para entradas e dormidas na capital do país.

Turismo: taxas ameaçam «galinha dos ovos de ouro» do crescimento

«Creio que se alguns não compreenderam o sentido da minha - admito - extensa ironia na semana passada, todos percebem hoje a substância daquilo que eu disse», disse Pires de Lima ao ser confrontado com a decisão anunciada segunda-feira pela Câmara de Lisboa, de cobrar uma taxa de um euro pela chegada de turistas ao aeroporto e ao Porto em 2015 e, a partir de 2016, de uma taxa do mesmo valor por dormida.

O ministro da Economia, que falava aos jornalistas depois de proceder à inauguração do novo centro Comercial Alegro, em Setúbal, defendeu que há «duas formas de olhar para a criação de riqueza nas empresas».

«Uma é aquela que ontem (segunda-feira) foi anunciada pelo senhor presidente da Câmara de Lisboa e também candidato a primeiro-ministro, que é no fundo, de sentir que um setor que começa a levantar a cabeça, a melhorar, se calhar a registar pela primeira vez em muitos anos resultados positivos, deve ser taxado, seja pelas pessoas que entram em Lisboa, seja pelas pessoas que dormem em Lisboa, portugueses no estrangeiros e, com essas taxações - um euro aqui, outro euro acolá, outro euro noutro sitio qualquer -, permitir o financiamento de projetos públicos», disse, citado pela Lusa.

«Hoje é o Centro de Congressos, amanhã será o financiamento do prejuízo do Centro de Congressos, depois de amanhã será outra coisa qualquer», ironizou.

Segundo o ministro da Economia, outra forma de olhar para a criação de riqueza nas empresas é aquela que tem sido protegida pelo Governo e pelo Ministério da Economia.

Esta última opção - acrescentou - passa por «entender que as empresas que criam riqueza e estão, gradualmente, depois de muitos a anos difíceis, a sair da crise, tenham a possibilidade de se apropriar da riqueza que criam, capitalizar os seus modelos de negócio, investirem nos seus projetos empresariais e, sobretudo, investirem nas pessoas».

«Investir em aumentos salariais dos trabalhadores e dos colaboradores dessas empresas que durante muitos anos trabalharam, contribuíram para a criação de riqueza sem, muitas vezes, poderem ver os seus salários aumentados, investirem na formação dessas pessoas, investirem também na criação de mais emprego, através de projetos de investimento», exemplificou Pires de Lima.

«No Governo, no Ministério da Economia, claramente damos preferência a esta segunda via. Nós acreditamos que os empresários, as empresas, os gestores, os trabalhadores do setor privado que criam riqueza, devem poder beneficiar nas próprias empresas dessa criação de riqueza, em vez de a transferir para o Estado, seja ele central ou local», concluiu.