A Caixa Geral de Depósitos vai pagar uma taxa de juro (cupão) de 1% pela colocação de mil milhões de euros em obrigações hipotecárias e conseguiu um spread histórico e o mais baixo de sempre, disse o administrador financeiro.

«Conseguimos fechar o cupão com uma taxa de 1%, equivalente a uma taxa mid-swap (taxa de juro de mercado) mais 64 pontos base. Estamos a falar de um spread histórico e de um cupão bastante competitivo» para o financiamento à economia, nomeadamente das pequenas e médias empresas, disse hoje à Lusa o administrador financeiro do banco público, João Nuno Palma.

As declarações surgem depois de a Caixa Geral de Depósitos (CGD) ter colocado hoje mil milhões de euros em obrigações hipotecárias a sete anos, para uma procura de 1,4 mil milhões de euros.

João Nuno Palma comparou o spread desta emissão com os das duas últimas emissões, em janeiro de 2013 e janeiro de 2014, que se situaram nos 285 pontos base e nos 188 pontos base, respetivamente, e reforçou que os resultados de hoje «refletem a qualidade da emissão em termos de emissor (baixo risco e alta qualidade)» e poderão trazer no futuro outros investidores.

Questionado sobre os valores desta emissão face aos atingidos em janeiro de 2014, quando o banco conseguiu colocar 750 milhões de euros a cinco anos com um cupão de 3%, João Nuno Palma disse que, «em apenas um ano, as taxas de juro reduziram-se, tendo existido uma adicional compressão do risco de Portugal (redução entre o 'spread' de Portugal e o da Alemanha), a que se junta o efeito dos bancos centrais».

De salientar, que o Banco Central Europeu deverá anunciar na quinta-feira o seu plano de compra de dívida pública.

Ao nível da distribuição geográfica, o grosso do bolo ficou nos bancos centrais do Eurosistema, com 31%, seguindo-se a Alemanha e a Áustria, com 25%, o Reino Unido, com 9%, os países nórdicos, com 8%, e, em quinto lugar, Portugal, com 7%.

Os bancos mandatados para realizar a emissão foram o Caixa BI, Natixis, Nomura, Santander e LBBW.