A venda de refrigerantes com mais açúcar caiu 72% nos primeiros três meses deste ano. Estes são números preliminares apresentados pelo Ministério da Saúde sobre os efeitos da aplicação da chamada sugar-tax, a partir de fevereiro.

Em janeiro, mês anterior à entrada em vigor da taxa extra aplicada às bebidas com açúcar adicionado, o consumo destes refrigerantes rondava os 30 milhões de litros/mês. Em março, o consumo registado não chegou aos 10 milhões.

Contas aos aumentos

O novo imposto traduziu-se num aumento de 8,22 euros por hectolitro em bebidas com 80 gramas de açúcar por litro. Para as que ultrapassam este valor, a subida da tributação foi de 16,46 euros por hectolitro.

Foi precisamente neste último grupo que a quebra de vendas foi mais acentuada, mas as autoridades de saúde admitem que as razões para esta queda tão abrupta têm ainda de ser estudadas.

Será mais fácil fazermos contas ao preço da garrafa ou da lata. Com este novo imposto, cada garrafa de 1,5 litros de refrigerante custa mais 15 ou 30 cêntimos, conforme a quantidade de açúcar. Uma lata de Coca-Cola (de 33 cl), por exemplo, como tem 106 gramas de açúcar por litro teve um acréscimo de cinco cêntimos por via deste novo imposto.

Cinco cêntimos esses que se devem somar ao preço da bebida antes do Valor Acrescentado (IVA). Quer isto dizer que, na prática, a subida do preço final de venda ao público desta bebida é superior a esses cinco cêntimos.

Todos os sumos, com exceção dos néctares aumentaram de preço. Até as águas com aromas, com adoçante, estão a ser taxadas. A mesma coisa com as bebidas com um teor alcoólico superior a 0,5% e inferior ou igual a 1,2% como os vermutes, a sidra e o hidromel.

Porém, e dependendo dos estabelecimentos, os consumidores podem não estar a sentir os aumentos, porque houve empresas que decidiram absorver a atualização. Preferiram fazê-lo a perder clientes.

Portugueses gostam de açúcar

Cada português consome cerca de 34 quilos de açúcar por ano, praticamente o dobro da quantidade que seria desejável.

A ideia é que o preço influencie e na hora de escolher, para os consumidores passarem a optar por bebidas mais saudáveis.

Seja como for, com este novo imposto o Estado espera receber 80 milhões de euros por ano.