Os habitantes de Santo Tirso, Trofa, Paços de Ferreira e Vila do Conde foram os que mais pagaram pela água em 2013, com a fatura média mensal a atingir o dobro da média nacional de 9,22 euros.

Os dados da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) relativos aos encargos tarifários indicam que a conta da água, tendo em conta um consumo de 10 metros cúbicos por mês, representou um custo de 19,92 euros em Santo Tirso e na Trofa, 18,88 euros em Paços de Ferreira e 18,44 euros em Vila do Conde.

No ano passado, o custo da água no Porto ficou ligeiramente acima da média, situando-se nos 11,29 euros, enquanto os munícipes de Lisboa pagaram menos (8,45 euros).

No extremo oposto, encontram-se vários concelhos com faturas inferiores a três euros, como Mondim de Basto (2,95 euros), Barrancos (2,70 euros), Penedono e Vila Nova de Paiva (2,60 euros) e, por fim, Terras de Bouro (1,50 euros).

Paços de Ferreira e Trofa surgem novamente no topo da tabela quando se somam os encargos associados aos três serviços: abastecimento de água, saneamento e tratamento de lixo.

Nos dois municípios nortenhos, a fatura cobrada por estes serviços chega aos 34,35 e 34,13 euros, respetivamente, quase duas vezes mais do que o encargo médio dos 278 concelhos analisados pela ERSAR (18,4 euros).

Mais caro, só o valor cobrado pelas empresas que gerem os empreendimentos de Vale do Lobo e da Quinta do Lago, em Loulé: 40,71 euros.

No Porto, os encargos fixam-se nos 20,35 euros mensais, enquanto em Lisboa foi contabilizada apenas a parcela paga pela água (8,45 euros), já que a autarquia não forneceu informação relativa aos valores cobrados pelo saneamento e pelos resíduos.

Para tratar do lixo, as câmaras cobram, em média, 3,6 euros, mas alguns munícipes chegam a pagar quatro vezes mais como acontece na Póvoa de Varzim, que aparece no cimo da lista com uma fatura mensal de 13,12 euros.

Albufeira, com um encargo de 10,54 euros, também é dos municípios onde a gestão de resíduos sai mais cara, seguindo-se a Maia (10,42 euros) e Vila Nova de Gaia (9,75 euros).

No Porto, o custo aproxima-se da média, com 4,65 euros de fatura mensal.

Onze câmaras não cobram este serviço: Alcácer do Sal, Belmonte, Caldas da Rainha, Cinfães, Figueira de Castelo Rodrigo, Monchique, Oleiros, Penedono, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Tabuaço.

Em termos de saneamento, Espinho lidera a tabela dos municípios mais caros, faturando 16,30 euros por mês, três vezes mais do que a média nacional de 5,60 euros.

Também Torres Vedras (15,77 euros) e Covilhã (15,22 euros) cobram o triplo do valor médio.

Lisboa não forneceu valores e o Porto cobra 4,41 euros, um euro a menos do que a média nacional.

Em São Pedro do Sul e em Vila Viçosa, o custo do saneamento não ultrapassa os 50 cêntimos mensais e existem 11 municípios onde este serviço custa zero euros: Arraiolos, Belmonte, Fronteira, Monchique, Montemor-o-Novo, Oleiros, Penedono, Portel, Tabuaço, Vila Flor e Vila Nova de Foz Côa.

Na sua análise, a ERSAR concluiu que subsistem “situações em que a estrutura dos tarifários aplicados ainda não é eficiente, nomeadamente quando não é faturado qualquer valor pelo serviço prestado”.

Apesar disso, a disparidade de tarifas tem vindo a reduzir-se e passou de uma diferença de 1 para 22 em 2009, para 1/14 em 2013.

Encargos com água, saneamento e lixo subiram 3,3% em 2013

Os custos dos serviços de abastecimento de água, saneamento e tratamento de lixo aumentaram 3,3% no ano passado, atingindo um encargo médio para as famílias de 21,39 euros, segundo a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR).

Os encargos mensais com os três serviços, tendo em conta um consumo de 10 metros cúbicos, variaram entre um máximo de 40,71 euros e um mínimo de 1,5 euros: no caso do abastecimento de água, a variação situou-se entre 20,38 e 1,5 euros, no saneamento entre 21,04 e zero euros e no tratamento de resíduos entre 13,12 e zero euros.

O custo dos serviços de saneamento foi o que mais aumentou, atingindo um encargo médio de 6,74 euros, mais 5,48% do que em 2012, enquanto a fatura da gestão de resíduos se fixou, em média, nos 4,18 euros, mais 4,24% do que ano anterior.

Os encargos com o abastecimento de água tiveram um acréscimo de 1,75%, o que significa uma conta mensal de 10,47 euros.

Na análise aos tarifários aplicados em 2013 em 278 concelhos, a ERSAR concluiu que se mantém uma “injustificada disparidade” das tarifas aplicadas aos utilizadores, apesar de a diferença ter sido reduzida (1 para 14 face à relação de 1 para 22 que se verificava em 2009).

A ERSAR salienta que subsistem «situações em que a estrutura dos tarifários aplicados ainda não é eficiente, nomeadamente quando não é faturado qualquer valor pelo serviço prestado».

O tratamento de esgotos, por exemplo, não é cobrado em onze concelhos, e a gestão de resíduos noutros onze.
Cinco municípios não cobram nenhum destes dois serviços.