A greve dos trabalhadores de handling da Groundforce, que se realiza hoje no aeroporto de Lisboa entre as 15:00 e as 22:00, deverá ter «algum impacto» na operação dos aviões, mas sem levar a cancelamentos, admite o sindicato.

«Nos dias que correm, qualquer irregularidade terá sempre algum impacto na operação, nomeadamente no que respeita a atrasos de voos, tendo em atenção a época alta em que estamos», afirmou hoje o dirigente do Sitava-Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos Fernando Henriques à Lusa.

No entanto, lembrou o mesmo responsável do sindicato que convocou a greve, esta paralisação tem como principal objetivo permitir que os trabalhadores da Groundforce compareçam numa concentração e num plenário que estão marcados para esta tarde, junto ao terminal de chegadas do aeroporto da Portela.

«Não estamos à espera de que os impactos cheguem ao cancelamento de aviões, porque esse também não seria nosso objetivo», indicou o sindicalista.

De acordo com o dirigente do Sitava prevêem-se «cerca de 200 pessoas» na concentração, que terá início às 15:00, sendo que o turno da tarde deverá ser o mais afetado. No entanto, «a Groundforce costuma convocar os trabalhadores precários sem horário previsto de saída, para impedir que haja consequências nestas situações», acrescentou.

Na concentração e no plenário estarão três temas principais em discussão pelos trabalhadores presentes, que irão debater novas ações de protesto.

Em primeiro lugar a questão dos horários de trabalho definidos pela empresa, com os quais os trabalhadores não concordam, mas também outras duas preocupações surgidas mais recentemente.

Uma destas questões é a eventual venda à Urbanos dos 49,9% da Groundforce que estão ainda nas mãos da TAP, que tem vindo a ser falada mas com a qual o sindicato não concorda, até porque poderá significar perderem o principal cliente.

«Se a TAP deixasse de ser acionista, deixaria também de ser nosso cliente», receia Fernando Henriques.

Outra reivindicação é a negociação de um contrato coletivo para o setor, integrando a Groundforce, a Portway e um eventual terceiro operador que venha a entrar nos aeroportos.

«A concorrência deixaria de se fazer pela concorrência de salários», defendeu o sindicalista, acrescentando que isso tem levado a cortes em ordenados, despedimentos laborais e a «um viveiro coletivo de trabalhadores precários em todo o país».

Contactada também hoje pela Lusa, fonte oficial da TAP admitiu que a paralisação dos trabalhadores de handling deverá piorar a situação causada pela greve dos controladores aéreos em França.

Pelo menos 30 voos foram hoje cancelados nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro na sequência da greve dos controladores aéreos de França, a maioria dos quais das companhias aéreas TAP e Ryanair.

A ANA-Aeroportos aconselhou os passageiros que vão viajar hoje a informarem-se «junto das suas companhias ou agências de viagem sobre o estado do seu voo antes de se deslocarem para os aeroportos».

A paralisação dos controladores aéreos franceses - convocada pelo sindicato Unsa-ICNA em protesto contra a falta de investimento na navegação aérea - está marcada até domingo.