Depois de há poucos dias desdramatizar a questão em torno das novas tabelas da ADSE, dizendo que há "muito tempo" para negociar, o ministro da Saúde vem hoje defender que essas negociações servem para tentar garantir que o dinheiro dos seus beneficiários é bem utilizado.

A ADSE está a apertar a malha de escrutínio e a garantir que o dinheiro dos beneficiários não é mal utilizado”

Adalberto Campos Fernandes falava durante a comissão parlamentar de Saúde, considerando normal que haja reações adversas quando se tenta negociar e proteger os beneficiários. Recorde-se que a ADSE é o subsistema público de saúde.

As novas tabelas de preços que a ADSE apresentou ao setor privado e que deverão entrar em vigor a 1 de março, têm motivado fortes críticas deste setor. A Associação Portuguesa de Hospitalização Privada considerou que os valores propostos representam "perdas incomportáveis" para os privados e podem pôr em causa o acesso dos beneficiários aos cuidados de saúde.

De acordo com a Associação, as tabelas reduzem o valor pago aos prestadores de serviços que têm convenção com o sistema e reforçam o controlo das despesas públicas.

Entretanto, a Ordem dos Médicos Dentistas ameaçou acabar com o acordo com o subsistema de saúde dos funcionários públicos, caso se mantenha a proposta como está. 

O bastonário da Ordem dos Médicos classificou como “absolutamente escandalosos” os preços que a ADSE paga por alguns atos médicos, que muitas vezes não chegam sequer para as despesas do material usado em exames.