Os desastres naturais ocorridos no ano passado causaram prejuízos de 101 mil milhões de euros em todo o mundo e provocaram 26 mil mortos, revela-se num estudo hoje divulgado pela Swisse Re, a maior seguradora da Suíça.

Mas de acordo com a organização, os danos financeiros globais foram menores que os registados apenas com o furacão Sandy, que fustigou os Estados Unidos em 2012 e causou perdas estimadas em 142 mil milhões de euros.

A Swiss Re considera necessária que a indústria de seguros repense as formas de reduzir o impacto dos desastres naturais, face à crescente preocupação das mudanças climáticas.

Segundo os registos da Swisse Re, o desastre mais caro para as seguradoras a nível mundial foram as inundações que, de maio e junho do ano transato, atingiram a Europa do Leste e Central, originando perdas totais de 12 mil milhões de euros, quando só três mil milhões de euros estavam cobertos pelas companhias de seguro.

As intempéries atingiram, sobretudo, a Alemanha, a República Checa, Hungria e Polónia.

Em julho, partes da França e da Alemanha também foram atingidas por fortes tempestades de granizo, que resultaram em prejuízos avaliados em 3,5 mil milhões de euros, dos quais 2,8 mil milhões de euros na Alemanha, representando a maior perda segurada resultante de uma tempestade a nível mundial, refere a Swiss Re.

As inundações registadas em junho último no Canadá causaram perdas de 3,5 mil milhões de euros, mas as companhias de seguro do país tinham somente 1,4 mil milhões de euros de seguros para este tipo de desastres naturais.

A companhia helvética assinalou que o desastre mais caro para o setor de seguros foram os tornados que afetaram o Estado norte-americano de Oklahoma no ano passado, cujas perdas asseguradas foram de 1,3 mil milhões de euros e prejuízos económicos gerais estimados em três mil milhões de euros.

Os dados recolhidos pela Swisse Re revelam que os desastres registados em países ricos causaram sobretudos perdas financeiras avultadas, enquanto nos Estados em via de desenvolvimento saldaram em danos humanos.

Dos 26 mil mortos assinalados no ano passado, um aumento de 14 mil em relação a 2012, a maior parte registou-se em nações em via de desenvolvimento, nomeadamente os da Ásia, onde apenas uma pequena percentagem da população tem seguro.

O tufão Haiyan, que atingiu as Filipinas em novembro, fez cerca de 7500 mortos, desalojou mais de quatro milhões de pessoas e causou quebras económicas de nove mil milhões de euros, dos quais apenas mil milhões de euros das perdas estavam cobertos por seguros, sublinha a Swiss Re.

Milhares de vidas foram salvas após a passagem do ciclone Phailin pela costa oriental da Índia, em outubro, que fez 14 mortos, pelo que a Swiss Re elogiou o programa indiano de redução de riscos, que considerou eficaz por incluir uma unidade de evacuação prévia.

Apesar das medidas de precaução, o ciclone Phailin causou perdas económicas de 3,3 mil milhões de euros, resultado da destruição de 100 mil habitações e 1,3 milhões de hectares de terras agrícolas.